UEPB transfere tecnologia que garante produção de água destilada com rendimento superior a 90%

8 de setembro de 2016

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A assinatura de um contrato de transferência de tecnologia entre a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e a empresa TECNAL, instalada na cidade de Piracicaba (SP), realizada na manhã desta quinta-feira (8), no Gabinete da Reitoria, em Bodocongó, confirmou mais um passo importante da Instituição em seu processo de incentivo à pesquisa, desenvolvimento tecnológico e contribuição social. Pela primeira vez, um equipamento criado nos laboratórios de uma universidade paraibana será fabricado em larga escala com o propósito de beneficiar uma grande parcela da população brasileira.

Trata-se de um aparelho destilador de água compacto, com eficiência máxima de reutilização. Desenvolvido pelo professor Josemir Moura Maia e pelo técnico administrativo Poti Oliveira Cortês Costa, ambos do Câmpus IV da UEPB, localizado na cidade de Catolé do Rocha, o equipamento apresenta alta eficiência na produção de água destilada e chega a apresentar um rendimento 70 vezes maior que o equipamento convencional, tendo um rendimento em torno 90%.

Ou seja, de cada litro de água que entra no sistema, cerca de 900 ml são convertidos em água destilada. Em aparelhos convencionais, como no sistema Pilsen, cerca de 50 litros de água tratada são utilizados para se produzir apenas 1 litro de água destilada. De acordo com os desenvolvedores, o destilador de água compacto garante um melhor funcionamento da tecnologia, ao mesmo tempo em que há uma considerável economia de água e energia.

“O equipamento tem a capacidade de produzir a mesma quantidade de água destilada que outros, mas com desperdício quase zero. A produtividade é superior a 90%. A perda de água é mínima e chega a ser uma tecnologia verde. O país como um todo vive sérios problemas relacionados à água e ao conseguirmos transferir esta tecnologia sinalizamos para uma redução do desperdício significativa e com uma produção muito eficiente. Se você verificar que a água destilada é utilizada em quase todos os setores industriais, conseguir produzir mais com menos desperdício gera uma economia muito grande, aumenta a produtividade e reduz custos. Tudo o que o mercado mais necessita e ainda mais fazendo bem ao meio ambiente”, ressaltou o professor Josemir Moura.

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Para o reitor Rangel Junior, este contrato de transferência de tecnologia marca uma nova época na UEPB. “No momento em que a gente vem trabalhando tanto a importância da inovação tecnológica, surge este resultado. Há muito tempo se fala em a universidade transferir conhecimento para a sociedade e também em buscar receita a partir deste desenvolvimento. E principalmente por ser em uma área tão importante como é a questão da água, esta tecnologia traz uma grande contribuição para a questão ecológica. Então ela reúne e agrega essas várias vantagens para a sociedade. Isso retrata também um momento importante que a universidade vive, resultado de investimentos feitos na qualificação profissional e em torno do que a universidade desenvolve em termos de suas pesquisas. É um momento de muita alegria. É um fato de muito contentamento e celebração”, disse o reitor.

Também presente na solenidade de assinatura do contrato, Simone Silva, presidente da Agência de Inovação Tecnológica da UEPB (INOVATEC), destacou a importância desse ato, uma vez que ele eleva a Universidade a um patamar de destaque entre as Instituições de Ensino Superior do país que investem em tecnologia. “Isso representa um marco para a UEPB, uma vez que a legislação permite a realização desse contrato para que com a fabricação e comercialização do produto a Universidade também seja beneficiada e passe a receber incentivos a partir dos royalties do produto”, disse Simone.

De acordo com a Lei Federal 10.973/2004, que dispõe sobre incentivos à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, parte dos lucros da empresa são destinados à instituição de natureza pública ou privada que tenha entre os seus objetivos o financiamento de ações que visem estimular e promover o desenvolvimento da ciência, da tecnologia e da inovação. “Como a pesquisa se deu dentro da UEPB, a Universidade passará a receber recursos após uma carência de dois anos do início da produção do equipamento. Esses recursos serão investidos para dar suporte a outras pesquisas em desenvolvimento, além do incentivo à propriedade intelectual”, acrescentou a presidente da INOVATEC.

Desenvolvedores do projeto que originou o equipamento de destilação, o professor Josemir Moura Maia e o técnico Poli Oliveira Cortêz Costa comemoraram o contrato de transferência de tecnologia entre a UEPB e a TECNAL, já que este equipamento oferece a possibilidade de produção contínua de água destilada, com a alternativa de redimensionamento para maiores ou menores fluxos, além de ter baixo custo de água e energia, diferente da maioria dos destiladores atualmente comercializados, e ainda possuir uma tecnologia com baixo custo de produção.

Texto: Givaldo Cavalcanti e Tatiana Brandão
Fotos: Tatiana Brandão