Simpósio de Educação de Jovens e Adultos debate formação docente e programas educacionais

19 de maio de 2016

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Estudantes, professores universitários e docentes da Educação Básica prestigiaram, nessa quarta-feira (18), no auditório do Centro de Humanidades (CH), a abertura do 1º Simpósio de Educação de Jovens e Adultos. O evento foi promovido pelo Câmpus III da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Guarabira, por meio do Departamento de Educação.

Com o objetivo de trocar experiências e compartilhar conhecimentos a partir da socialização de produções acadêmicas que abordam temáticas relacionadas à Educação de Jovens e Adultos (EJA), a iniciativa apresentou uma programação especial composta por mesas redondas, palestras e defesas de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de alunos concluintes do curso de Pedagogia.

A abertura contou com as contribuições de duas professoras e pesquisadoras que trouxeram para o debate estudos que dizem respeito à modalidade de ensino em foco. A docente Patrícia Fernanda Costa Santos, vinculada à rede de ensino de João Pessoa, discutiu o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) por meio da apresentação da dissertação que desenvolveu sobre políticas públicas educacionais em quinze municípios do sertão paraibano.

Durante sua exposição, Patrícia ressaltou pontos de análise das ações do PBA e seu impacto para políticas públicas voltadas à educação de jovens e adultos tendo como base informativa os depoimentos de secretários municipais. Ela ainda apontou as dificuldades e os desafios enfrentados pela modalidade, bem como traçou um perfil dos estudantes envolvidos. “O conceito de política pública educacional se articula com o projeto de sociedade que se pretende implantar, ou que está em curso, em cada momento histórico ou em cada conjuntura”, disse.

Já a professora Maria Gisélia Fernandes, doutora em Educação pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), relatou a experiência adquirida com a prática docente exercida em 2006 com alunos do presídio do Róger, na capital do Estado. Ela discorreu sobre sua tese: “Tempo de Cárcere: um estudo acerca das significações que presidiários estão construindo sobre suas experiências educacionais na situação carcerária”. Na pesquisa, ela focou a realidade vivenciada pelos apenados e seus familiares, além de apontar a problemática em ensinar num universo que impõe tantas adversidades. “Foi uma escolha difícil. Queria entender melhor como funcionava esse mundo. Visava, através do ensino, contribuir com o processo de reeducação e ressocialização”, destacou Maria Gisélia.

A vice-diretora do Centro de Humanidades, professora Ivonildes da Silva Fonseca, classificou como rico e oportuno o debate proposto, pois, para ela, o evento contribuirá para a realização de outros encontros pautados pelo possível alargamento da temática com a incorporação, por exemplo, da discussão de gênero e da população negra no sistema do ensino voltado para jovens e adultos. O seminário também foi enriquecido com as intervenções da professora Maria Valdenice Resende Soares, do Departamento de Educação do CH.

A atividade foi organizada pelo Grupo de Pesquisas e Estudos em Letramentos de Jovens e Adultos (PELEJA), em parceria com a Linha de Pesquisa/Área de Aprofundamento em Educação de Jovens e Adultos, ambos coordenados pela professora Verônica Pessoa.

Texto e foto: Simone Bezerrill