Seminário promove troca de conhecimentos sob múltiplas visões em torno da cultura afro-brasileira

9 de abril de 2019

A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) deu início, nesta segunda-feira (8), no Auditório III da Central de Integração Acadêmica, em Campina Grande, ao “Seminário Saberes Afro-brasileiros”, evento que traz palestras, debates, oficinas e exposição fotográfica, pondo em prática a interdisciplinaridade entre dois cursos distintos e a troca de conhecimentos sob múltiplas visões em torno da cultura afro-brasileira.

O evento é uma realização de dois projetos de extensão da UEPB que estudam a temática da educação para as relações étnico-raciais: “Projeto Luz Negra: Oficinas de Fotografia Sobre a Cultura Afro-Brasileira na Rede Pública de Educação”, do curso de Jornalismo, e “Projeto Cine Literário, Oralidade e Fotografia: práticas de currículo intercultural”, do curso de História.

A abertura contou com uma mesa redonda formada pela professora Dilaine Sampaio, do Programa de Pós-Graduação em Ciências das Religiões da UFPB; professor Waldeci Chagas, do Câmpus III da UEPB; professora Luciene Tavares, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Formação de Professores da UEPB; Joyce Kayana, graduanda em Direito pela UEPB e arte-educadora; e Larissa Lira, doutoranda em Ciência das Religiões; e a professora Patrícia de Aragão, mediadora da mesa.

O professor Rostand Melo, que coordena o projeto Luz Negra, explicou que os alunos extensionistas oferecem oficinas lúdicas de fotografia em escolas da rede pública, discutindo a temática “História e Cultura Afro-brasileira” e respeitando as leis federais que estimulam a inclusão desta disciplina no ambiente escolar. “O próprio curso de Jornalismo usa suas linguagens para a educação e atende uma lacuna geral, contribuindo para um debate que é necessário, mas ainda muito incipiente”, acrescentou.

Em sua fala, Luciene Tavares, que nasceu e cresceu na Comunidade Quilombola Caiana dos Crioulos, apresentou sua experiência como professora de educação infantil das crianças da região, bem como as atividades utilizadas para manter os rituais característicos, a valorização das práticas culturais e o reconhecimento da história e da identidade. “Dentro da comunidade não sentimos o preconceito, pois tudo é feito na união e na coletividade. Mas nas cidades sentimos em cada detalhe o preconceito racial e só sabe o que é isso quem passa”, disse a professora, ressaltando a necessidade de fortalecimento das crianças e jovens.

De acordo com o professor Waldeci Chagas, o maior propósito de atividades interdisciplinares como esta é formar profissionais capazes de enfrentar o racismo na sociedade brasileira, não discutindo diretamente o racismo, mas potencializando os graduandos com conhecimentos sobre a história e cultura afro-brasileira. “Nós discutimos temas que aliam duas áreas em torno das representações afro-brasileiras, formando profissionais habilitados a lidar especialmente com a pessoa negra, seja na Educação ou no Jornalismo, produzindo algo que incentive e estimule essas culturas de modo positivo”, afirmou.

A programação do Seminário Saberes Afro-brasileiros seguirá até sexta-feira (12), sempre das 14h às 17h, na central de Integração Acadêmica. Outras informações podem ser obtidas através do e-mail luznegra.uepb@gmail.com

Confira a programação:

Terça-feira (09.04):
Palestra – “O lugar de fala dos sujeitos na luta anti-racista” (Jussara Belens) – Sala 354

Quarta-feira (10.04):
Painel – “Experiências fotográficas e audiovisuais de documentação da cultura negra” (Valtyennya Pires, Dayse Euzébio, Cátia Ramos, Marcinha Lima, Carol Brito) – Sala 354

Quinta-feira (11.04):
Minicurso – “Abordagens sobre o negro na música e na literatura” (Virna Lúcia / Edvaldo Lacerda) – Sala 354

Sexta-feira (12.04):
Painel – “Experiências da cultura afro-brasileira em sala de aula” (Patrícia Aragão / Débora Pereira / Jaqueline Ferreira / Marcila de Almeida / Érica Araújo) – Sala 354

Texto e fotos: Giuliana Rodrigues