Prefeitura de São Paulo repercute pesquisa de biólogo da UEPB sobre os desafios do combate ao aedes aegypti

16 de março de 2016

O professor e pesquisador Eduardo Barbosa Beserra, do Laboratório de Entomologia do Grupo de Bioecologia Sistemática de Insetos da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), vinculado ao Departamento de Biologia, foi contatado pela Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo para, através do portal da Prefeitura de São Paulo, oferecer orientações que auxiliem no combate ao mosquito aedes aegypti na capital paulista.

Eduardo Beserra é biólogo e um dos autores do estudo “Efeito da Qualidade da Água no Ciclo de Vida e na Atração para Oviposição de Aedes Aegypti”, publicado na Neotropical Entomology, em 2010. Ele foi procurado pela Secretaria de Saúde paulistana devido ao aumento do número de casos notificados de dengue no município de São Paulo e os primeiros casos autóctones registrados da febre chikungunya e do zika vírus. A caça ao mosquito foi intensificada pelas autoridades sanitárias paulistanas e a ideia da prefeitura paulistana é fornecer o máximo de informações à população para que toda a sociedade esteja engajada a agir na erradicação dos focos do mosquito vetor.

Em entrevista concedida ao portal da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, o pesquisador da UEPB ressalta que o ciclo de vida do mosquito aedes aegypti está condicionado a fatores como umidade, temperatura, acesso à alimentação e quantidade de larvas em um mesmo criadouro. Desmistificando algumas dúvidas, ele explica que para que o inseto se desenvolva é necessário que ocorra disponibilidade de alimento (matéria orgânica). Se na água limpa não houver recurso alimentar disponível, não tem como o inseto se desenvolver.

“Assim, ele pode se desenvolver em águas com graus de potabilidade menor, inclusive águas de esgoto, desde que tenha recurso alimentar disponível e condições físico-químicas adequadas”, observa Eduardo. Segundo o especialista, o período de desenvolvimento do mosquito varia muito de acordo com a temperatura e a disponibilidade de alimento. A uma temperatura média de 26oC e com suficiente quantidade de alimento, a duração do ovo adulto varia entre 12 e 15 dias. Já a larva adulta, de 8 a 12 dias, em média.

O professor Eduardo explica que o maior percentual de adultos se encontra no interior das residências. Quanto aos criadouros, ele particularmente não acredita em um percentual tão alto. Para o pesquisador da UEPB, a falta de infraestrutura da maioria dos bairros das cidades brasileiras, como a carência de saneamento básico, coleta regular de lixo, presença de áreas livres (terrenos baldios) – locais nos quais há muito acúmulo de materiais que podem servir como criadouro do inseto, se tornam em um grande gargalo para o controle do inseto em nível aceitável.

Eduardo Beserra enfatiza que o mosquito é um inseto que prefere água estagnada, ambientes lênticos, onde não há correntes de água. O problema é que a maior parte dos cursos de água nas cidades sempre está sujeita a se colocar lixo, o que represa a água, formando microambientes de água parada onde pode ocorrer o desenvolvimento do inseto.

Confira a entrevista na íntegra clicando AQUI.

Texto: Severino Lopes