Projetos da UEPB confeccionam kits de estimulação multissensorial para tratamento de bebês com microcefalia

3 de maio de 2017

Um projeto de pesquisa e outro de extensão, vinculados ao Departamento de Fisioterapia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), estão desenvolvendo com alunos participantes uma oficina que tem como proposta confeccionar kits com objetos destinados ao tratamento de bebês portadores de microcefalia e de outras deficiências. Essa proposta foi inspirada a partir da iniciativa do Unicef e da Fundação Altino Ventura que distribuíram para famílias de crianças nessa situação de todo Brasil objetos que podem ser usados para que o tratamento seja feito também em casa.

De acordo com a professora Eliane Nóbrega, coordenadora do projeto de extensão “Microcefalia em bebês de risco” e do projeto de pesquisa em microcefalia, a UEPB vem acompanhando bebês com este problema há seis meses e atendendo há cerca de 20 anos outras crianças com diferentes deficiências. Dessa forma, em parceria com uma mãe assistida por um dos projetos desenvolvidos na Clínica de Fisioterapia, a Instituição está preparando kits de estimulação multissensorial que serão entregues às famílias que ainda não o possuem, para ampliar o tratamento dos pacientes.

“Estamos confeccionando 40 kits que possuem 25 objetos voltados para o tratamento de estimulação multissensorial. Transformamos esses objetos em 20 itens que são próprios para o estímulo motor, visual, auditivo, de linguagem, de tato e inteligência do bebê. Será a oportunidade que as famílias terão de continuarem em casa o tratamento que as crianças recebem na clínica. Como grande parte do tempo elas estão em casa, esse kit servirá para que os bebês sejam estimulados a maior parte do seu tempo”, explicou a professora Eliane.

Ao todo, oito alunas do curso de Fisioterapia estão participando da oficina de confecção das coleções que, prioritariamente, tem o objetivo de melhorar o prognóstico dos bebês portadores da doença. “Já trabalhamos a fisioterapia respiratória, que é essencial para a estabilidade dessas crianças. Agora, com esses kits, elas terão um processo de estimulação mais intenso. Acredito que dentro de duas semanas tudo estará pronto para realizarmos as entregas”, concluiu Eliane Nóbrega.

Desde o mês de outubro do ano passado a Universidade Estadual da Paraíba vem concentrando esforços no que diz respeito ao desenvolvimento de projetos e ações voltadas à melhoria da qualidade de vida de crianças que nascem com microcefalia. O grande número de casos da doença no Estado (943 em 144 municípios, registrados desde agosto de 2015, segundo a Secretaria de Estado de Saúde, com dados coletados até fevereiro desse ano) vem motivando o andamento dessas atividades na Instituição.

Assim, através do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS) foi criado um grupo de estudos com professores e pesquisadores para desenvolver projetos que auxiliem no tratamento médico desses pacientes. Desde então, a Instituição vem reunindo docentes dos cursos de Fisioterapia, Enfermagem, Odontologia e Psicologia para ampliar equipes de pesquisa e extensão universitária, voltadas para o desenvolvimento de atividades que envolvam as crianças com microcefalia e também suas mães.
Texto e fotos: Givaldo Cavalcanti