Projeto de extensão do Câmpus de João Pessoa realiza evento alusivo ao Dia Nacional do Sistema Braille

6 de abril de 2021

“Se os meus olhos não me deixam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, terei de encontrar uma outra forma”, essa foi a declaração de Louis Braille antes de criar um sistema de leitura que permite às pessoas com deficiência visual viverem na busca pelo que preconiza a Declaração Universal de Direitos Humanos, segundo a qual “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos”.

E como forma de enfatizar a importância do código Braille para a inclusão das pessoas com deficiência visual e discutir as ações desenvolvidas com essa vertente no Centro de Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas (CCBSA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), será realizada nesta terça-feira (6), às 16h, através da página do Câmpus V no Youtube, a mesa de discussão “Práticas acessíveis com o sistema braille no Câmpus V da UEPB”. O evento integra as ações alusivas ao Dia Nacional do Sistema Braille, celebrado em 8 de abril.

A ação é promovida pelo projeto de extensão “CampusVin: campus V inclusivo”, que é coordenado pela professora Soraia de Souza, com o objetivo de possibilitar a inclusão de pessoas com deficiências nas diversas áreas do conhecimento através de cursos, atendimentos e de materiais acessíveis. A iniciativa também conta com o apoio do Programa “Da ação cidadã às redes sociais científicas: os laços e possibilidades da ciência aberta na UEPB”.

Participam da mesa a professora Soraia de Souza, que possui experiência na confecção de recursos didáticos para pessoas com deficiência visual; a bibliotecária Ana Lúcia Leite, que possui deficiência visual e atua com a recuperação, organização e disseminação acessível da informação através do uso do serviço Braille e das ferramentas tecnológicas para o acesso à informação; a professora Bruna Adrielly de Almeida, que possui experiência na confecção de recursos didáticos para pessoas com deficiência visual e a bibliotecária Marília Pereira, que é coordenadora da subcomissão de Bibliotecas Braille da Federação Brasileira de Associações de Bibliotecários e Cientistas da Informação. O evento também contará com uma declamação de versos do Betinho Feliciano.

Inclusão e acessibilidade na UEPB

Atualmente a UEPB conta com o Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), que funciona no Câmpus I e presta assistência aos estudantes, técnicos e docentes com alguma deficiência que necessitem de acesso ao acervo da biblioteca e outras demandas da vida acadêmica. O Câmpus V também conta com o serviço denominado “SIB (Sistema Integrado de Bibliotecas) acessível”, oferecido pela bibliotecária Ana Lúcia Leite que conta com o apoio do trabalho da professora Soraia de Souza.

De acordo com Ana Lúcia Leite a perspectiva é que em breve possa ser constituída uma rede colaborativa entre a UEPB, UFPB e IFPB para que as obras das bibliotecas sejam disponibilizadas num repositório que ficará disponível para os estudantes com deficiência das instituições. “A UEPB tem avançado nesse tipo de discussão e eu tenho visto interesse da gestão em nos apoiar, o que é importante considerando o alto custo para a aquisição de tecnologias que auxiliem essa população a ter acesso ao conteúdo de forma autônoma”, avalia.

Segundo o último Censo do IBGE, aproximadamente, 25% da população brasileira declarou apresentar, pelo menos, um tipo de deficiência, seja, visual, auditiva, motora ou mental, sendo a deficiência visual a mais frequente, com cerca de 35 milhões apresentando dificuldades para enxergar, mesmo com o uso de óculos ou lentes de contato. A Região Nordeste registra os maiores níveis para todas as deficiências, principalmente, nos Estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba.

Diante disso, ações voltadas a essa parcela da população são necessárias para permitir a inclusão destas pessoas e o livre exercício da cidadania. E essa tem sido a tônica das iniciativas empreendidas pelas equipes do NAI, SIB e projeto de extensão “CampusVin”, dentre outras iniciativas.

Texto: Juliana Marques