Pesquisa busca reduzir dificuldades do ensino da Matemática para alunos com deficiência visual

27 de fevereiro de 2020

Uma mestranda do Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Educação Matemática (PPGECEM) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) está desenvolvendo, no México, parte de uma pesquisa inovadora voltada para alunos com deficiência visual. Intitulada “Análise do fenômeno da transposição didática interna no ensino de Estatística: um estudo com a inclusão de um aluno cego em uma sala de aula regular”, a pesquisa está sendo desenvolvida pela estudante Vanessa Lays Oliveira dos Santos, na Universidade Hábitat de San Luis Potosíno.

O estudo, orientado pelo professor Marcus Bessa de Menezes, já vem sendo desenvolvido há dois anos. A primeira etapa foi realizada em escolas públicas de Campina Grande, no Instituto dos Cegos e em algumas escolas do Compartimento da Borborema, a exemplo de Cuité, onde foram colhidos diversos dados. A fase final do trabalho está sendo realizada no México. Vanessa foi para o México através do projeto de Mobilidade Internacional ofertado pelo PPGECEM da UEPB, com o objetivo de aprofundar essa investigação sobre o ensino da Matemática para alunos cegos.

Além de participar de aulas da pós-graduação, a mestranda está visitando escolas do ensino médio e de universidades que trabalham com a educação inclusiva de alunos com deficiência visual. Ela quer saber como é desenvolvido o ensino para o aluno cego da sala de aula regular no México e trazer a experiência para Brasil.

“Está sendo uma experiência muito enriquecedora. Aqui, no México, investigo como o professor da sala de aula regular ensina para o aluno cego, quais suas estratégias de ensino, buscando semelhanças e diferenças do nosso ensino no Brasil”, explica. Nas visitas às escolas do ensino médio, chamadas no México de primárias secundárias, Vanessa busca saber se o professor tem formação específica para o ensino de Matemática para alunos cegos ou se enfrenta dificuldades na sala de aula. Ela ainda pretende visitar a Escuela Normal que é do Estado, bem como o Campus de Ciências da Universidade Hábitat de San Luis Potosíno, especialmente o Curso de Matemática Interativa e universidades que possuem Curso de Matemática.

O orientador de Vanessa, professor Marcus Bessa de Menezes, destaca a importância do estudo, lembrando que a inserção do aluno cego na sala de aula regular leva a maiores discussões sobre formação de professores, com o surgimento de novos sistemas didáticos e o distanciamento dos saberes efetivamente ensinados para os dois públicos presentes no cenário didático, com alunos videntes e cegos. “Buscamos, com essas discussões em nossa pesquisa, dar ênfase à educação especial, alertando que os alunos com deficiência devem receber um ensino que proporcione uma aprendizagem em condições de igualdade com aqueles ditos normais, dentro das suas particularidades”, frisa.

Professor Marcus, que orienta outros alunos com pesquisa semelhante, destaca que os dados já coletados na pesquisa de Vanessa apontam para muitas dificuldades durante o ensino de Matemática para o aluno cego na sala de aula, principalmente pela falta de acesso a materiais que possam auxiliar os professores a desenvolverem atividades adequadas às necessidades especiais dos seus alunos. “Diante disto, temos elaborado um produto educacional que poderá colaborar para reduzir essas dificuldades”, revela.

Ele observa que desde a década de 1990, as discussões sobre inclusão vêm sendo ampliadas em um cenário mundial, interferindo no meio social e educacional, tornando-se um dos maiores desafios enfrentados pelos docentes. Atualmente, segundo ele, “a presença de crianças cegas é crescente nas escolas ditas regulares, o que é reflexo de uma sociedade rica em diversidade, que está presente nas escolas e tem imposto à sociedade de forma geral, mas em especial aos educadores, um revisitar de suas concepções e crenças sobre o que se considera a própria noção de diversidade, já que a convivência se faz presente no meio escolar, no trabalho e na vida em sociedade”.

Coordenador do PPGECEM , professor Joelson Pimentel enfatiza que o objetivo do Projeto de Mobilidade Internacional do programa é promover e consolidar seu processo de internacionalização, visto como necessidade inerente à melhoria de seus indicadores com vistas ao alcance do nível de excelência, intensificando a política de internacionalização assumida UEPB, ao desenvolver parcerias internacionais que resultam em diferenciação e qualidade na formação do pesquisador. Além da Vanessa, outros cinco discentes também foram contemplados com bolsas para realização de intercâmbio internacional.

Texto: Severino Lopes
Foto: Divulgação