Laboratório da UEPB desenvolve sensor eletroquímico para tratamento de pacientes com câncer

16 de outubro de 2017

Para muitos pacientes oncológicos o diagnóstico é apenas o primeiro passo de uma série de desafios que terão a enfrentar contra a doença. A rotina de visitas à clínicas e hospitais, administração de medicamentos, novos tratamentos e a necessidade de alimentação especial somam-se a efeitos adversos, como instabilidade emocional, limites impostos pelo próprio corpo, queda de imunidade, entre outros.

Além disso, durante o enfrentamento do câncer, observa-se que o paciente vivencia um maior estresse oxidativo, ou seja, um aumento na produção de radicais livres no organismo, o que pode gerar efeitos prejudiciais à saúde e piora no estado clínico do paciente. Para que estes danos sejam minimizados, deve-se aumentar a produção dos antirradicais (ou antioxidantes), os únicos capazes de combater o indesejado estresse oxidativo. O problema é que um organismo “não saudável” não é capaz de produzir antioxidantes com a mesma velocidade que um organismo saudável.

Pensando em facilitar a vida desses pacientes, os integrantes do Laboratório em Ciência, Tecnologia e Saúde (LCTS) – formado através de uma parceria entre a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) e o Instituto Nacional do Câncer (INCA) – criaram um equipamento de pequeno porte, um sensor eletroquímico, com a finalidade de verificar no sangue do indivíduo sua quantidade de glutationa (proteína encontrada no corpo humano e que se configura como um poderoso antioxidante e desintoxicante protetor das células contra os radicais livres).

O equipamento pode ser utilizado a qualquer momento, desde o diagnóstico, no pré e pós-operatório da cirurgia e até antes e depois da quimioterapia e radioterapia. Coletada uma amostra de sangue do paciente, o sensor separa a parte vermelha do plasma e verifica se o indivíduo tem mais ou menos estresse oxidativo.

“Diagnosticado se o nível de estresse está alto ou baixo, o médico poderá intervir clinicamente. Na Fisioterapia, do ponto de vista funcional, a leitura do estresse oxidativo está diretamente relacionada com a fadiga e com a qualidade de vida do paciente. E isso também vai indicar se deve ser feito com o paciente mais ou menos exercícios aeróbio ou anaeróbio”, explica a professora de Fisioterapia da UEPB, Railda Shelsea Taveira Rocha do Nascimento, coordenadoras do LCTS.

Em outras palavras, o equipamento mapeia a dosagem da glutationa e avalia o paciente com câncer em tempo hábil, de modo a identificar o nível de radicais livres em seu organismo e possibilitar à equipe de profissionais da área de saúde intervir a tempo, aumentando as chances de cura do indivíduo.

Registro

Até que fosse criado, o sensor eletroquímico precisou reunir estudos e conhecimentos de diversas áreas e integrar diferentes pesquisadores com um único propósito: suprir as necessidades do paciente oncológico. “Não consigo enxergar um profissional da tecnologia que não desenvolva a tecnologia aplicada, bem como não consigo ver um problema da área de saúde e não buscar uma solução tecnológica para resolvê-lo”, esclarece a professora Railda Shelsea. Para ela, a heterogeneidade existente entre os saberes é o que proporciona a solução dos problemas.

A ideia do sensor partiu do interesse da aluna do doutorado Nadja Vanessa de Almeida Ferraz, também vinculada à Rede Nordeste de Biotecnologia (Renorbio). O entusiasmo em estudar algo que favorecesse a vida dos pacientes oncológicos encontrou amparo no grupo de pesquisa da UEPB e com os professores Severino Alves Junior (UFPE) e Manuel Adrião (UFRPE), ambos do Laboratório de Ciências e Tecnologia em Saúde, que ainda reúne 34 alunos, entre graduação e doutorado.

Ainda em fase de prototipagem e de ensaio experimental, o equipamento desenvolvido já foi registrado pelo grupo de pesquisa. Com a patente conferida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), segue em prospecção. A partir de agora, qualquer empresa que se interessar por ele, deverá pagar um preço em royalties pelo produto.

 

Texto: Giuliana Rodrigues