Palestra e sarau poético marcam início das celebrações dos 10 anos de fundação do Câmpus de Monteiro

31 de agosto de 2016

A noite desta terça-feira (30) marcou o início das atividades festivas dos 10 anos de fundação do Câmpus VI da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), localizado na cidade de Monteiro, no Cariri do Estado. Batizado de Câmpus Pinto de Monteiro, a unidade que abriga mais de mil alunos, 74 professores e 15 servidores não poderia fugir de suas origens e iniciou sua celebração com uma palestra voltada a cultura popular e um sarau poético que contou com a participação de vários artistas da região.

O reitor da UEPB, professor Rangel Junior, lembrou da solenidade de inauguração, há 10 anos, e destacou o papel importante que a Universidade tem desempenhado ao longo desse tempo na formação de profissionais e no desenvolvimento da região. “Em primeiro lugar é uma grande alegria de poder estar aqui hoje, pelo fato de ter estado no dia da inauguração do Câmpus. Dez anos depois, esse é o resultado da presença da UEPB em Monteiro e na região do Cariri, que é algo marcante do ponto de vista da inserção da Universidade na vida dessas pessoas”, destacou o reitor.

Rangel Junior ainda ressaltou os projetos importantes que são desenvolvidos na unidade, uma vez que a partir deles tem se obtido resultados visíveis no que se refere ao desenvolvimento local. “Além da presença na formação de pessoas, a UEPB tem elevando o nível não somente educacional, mas também cultural, e fazendo assim com que a região de Monteiro receba uma promoção que envolve a ciência, a educação e a cultura. É claro que ainda podemos melhorar. A construção da sede própria já está em um horizonte próximo e acredito que daqui pra frente, em uma outra comemoração, já possamos estar celebrando em um novo espaço”, disse.

O diretor do Centro de Ciências Humanas e Exatas (CCHE), Marcelo Medeiros, foi pontual ao se referir ao sucesso do Câmpus VI a partir do processo de interiorização da UEPB. Segundo ele, essa medida foi fundamental para consolidar o papel da Universidade e levar a educação para cada vez mais longe. “O Câmpus VI é um fruto bem sucedido no processo de interiorização da Universidade. Isso possibilitou que pessoas pudessem, a partir de uma educação pública de qualidade, ter um futuro diferente. Com a chegada do Câmpus veio uma nova mentalidade à cidade, uma forma de enxergar o mundo diferente do que se tinha antes. Isso traz uma perspectiva que acrescenta muito aos moradores da região”, apontou o diretor.

A professora Analice Sobreira, primeira diretora do CCHE, também participou da solenidade festiva e fez questão de relembrar todo o processo de criação e consolidação do Câmpus de Monteiro. Ela valorizou o trabalho incansável dos professores e servidores e parabenizou a cidade que cresceu junto com a unidade da UEPB no Cariri. “Eu deixei uma família em Campina Grande e vir formar uma nova aqui em Monteiro. Por isso, quero agradecer a todos que trabalharam durante anos para esse momento acontecer. Mas, acima de tudo, agradecer por tudo que me ensinaram enquanto estive aqui”, disse Analice.

Poeta Marco di Aurélio profere palestra e recebe artistas para sarau poético

Convidado para proferir a palestra de inauguração do Câmpus VI há 10 anos, o poeta popular Marco di Aurélio ocupou o mesmo lugar na noite desta terça para mais alguns dedinhos de prosa, como ele mesmo apontou. Lisonjeado mais uma vez pelo convite, o artista não escondeu a felicidade por estar na UEPB, principalmente pela valorização que o Câmpus Pinto de Monteiro dá às tradições culturais.

“Quando se implanta um câmpus universitário é uma promessa muito bonita. É uma alimentação de famílias, de estudantes, de um povo que não tinha a oportunidade do saber. Esse resultado é inimaginável. A mudança de vida, de paradigmas, o empoderamento de um povo isolado que se abre a partir desse momento. Me sinto honrado e gostei de ver um câmpus defendendo a cultura popular como faz o Câmpus Pinto de Monteiro”, destacou di Aurélio.

Durante sua palestra, o poeta fez inúmeras referências a duas célebres questões: o que somos? e porque somos? De acordo com ele, esses questionamentos apontam para respostas que têm o poder de desmistificar as heranças culturais que o povo brasileiro tem a partir da cultura branca, preta, aborígene e judia. “Quando não sabemos nossa origem, não sabemos o que somos. E quando descobrimos uma herança preta, branca, aborígine e judia, cada um deles traz um componente para que a gente se desenvolva e passamos a saber por que agimos desse jeito”, afirmou o poeta.

Após sua participação como orador, Marco di Aurélio convidou diversos artistas da região para se apresentarem e dar ainda mais voz à cultura popular. Com versos, sextilhas, música e poemas, Oliveira de Panelas, Beto Brito, Romério Zeferino e ouros artistas paraibanos arrancaram aplausos da plateia que lotou o pátio do Câmpus VI e valorizou ainda mais a comemoração dos 10 anos da UEPB em Monteiro.

O aluno do 7º período de Matemática, Wanderley Gomes, parabenizou esse primeiro dia de atividades festivas e disse estar satisfeito com o papel que a Universidade vem desempenhando na região, dando uma oportunidade para estudantes como ele realizar um sonho. “Se a UEPB não estivesse em Monteiro, ficaria cada vez mais difícil para que eu e muitos outros alunos terem a chance de fazer um curso superior. Nossa expectativa é que o Câmpus cresça cada vez mais para que outras pessoas tenham também essa oportunidade que estou tendo”, disse.

O Centro de Ciências Humanas e Exatas atualmente oferece os cursos de Ciências Contábeis, Letras com formação em Português e Espanhol, Matemática e Educação Física, esse por meio do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). As festividades dos 10 anos do Câmpus seguem nesta quarta (31) com torneio esportivo, palestras dos professores Luciano Albino (UEPB) e Roberto Rondon (UFPB), e na quinta-feira (1º) com apresentação na Praça João Pessoa, com o show com o cantor Dejinha de Monteiro.

Texto: Givaldo Cavalcanti
Fotos: Paizinha Lemos