Minicurso realizado pelo Departamento de Biologia ensina como prevenir e eliminar infestações de cupins

21 de setembro de 2017

Insetos conhecidos pelo hábito de se alimentarem preferencialmente de celulose, atacando papéis, livros e estruturas de madeira, os cupins precisam ser tratados devidamente de acordo com cada espécie. Muitos produtos ofertados no mercado podem não ter eficácia e ainda provocar intoxicação nas pessoas. Para mostrar a forma correta de como prevenir e eliminar uma infestação de cupins, o Departamento de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) promoveu nesta quinta-feira (21) o minicurso “Biologia e boas práticas de controle de cupins: como conviver com tais pragas?”.

O evento, realizado no Auditório III da Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Campina Grande, reuniu cerca de 120 pessoas, entre estudantes e pesquisadores, a maioria do curso de Biologia. O minicurso fez parte de uma das etapas do projeto de extensão “Cupins urbanos: difusão de estratégias e ações participativas”, coordenado pela professora da UEPB, Maria Avany Bezerra Gusmão.

Avany observou que o conhecimento técnico foi repassado devido ao projeto descobrir que os problemas gerados pelos cupins são abrangentes em muitas cidades, a exemplo de Campina Grande, e muitas vezes as pessoas não sabem como proceder. Em praticamente todos os bairros de Campina foi detectada a presença de cupins urbanos, principalmente do chamado “cabeça de negro”. Um dos bairros com maior infestação do inseto é o Catolé.

Mitos sobre os cupins foram esclarecidos durante o minicurso e os participantes tiveram conhecimento sobre a função que eles desempenham na “colônia”. A atividade apresentou a forma correta de combater esse tipo de inseto. A professora Avany lembrou que algumas práticas utilizadas, ao invés de acabar com a infestação, podem proliferar ainda mais e gerar um transtorno maior. Ela enfatizou que o primeiro passo para se eliminar os cupins é chamar um biólogo ou uma pessoa especializada para descobrir o tipo de espécie e aplicar o tratamento. “Como existem vários tipos de pragas, como as de madeira seca ou de solo, os tratamentos são distintos”, explicou.

O tratamento é feito a partir dessa descoberta e nem sempre necessita o uso de produtos químicos que podem, inclusive, provocar intoxicação se for manuseado inadequadamente. É preciso identificar a “rainha”, responsável pela infestação, e aplicar o tratamento. Nunca se deve comprar os produtos aleatoriamente. Outra medida a ser adotada para controlar o inseto, é trocar a peça do móvel infectada, visto que geralmente as pessoas têm dificuldade de encontrar a rainha reprodutora. No caso das casas que possuem árvores próximas do telhado, a dica é podar o galho infectado, como forma de evitar que ele alcance a estrutura de madeira e ataque a casa.

O projeto “Cupins Urbanos”, desenvolvido pela equipe do Laboratório de Ecologia de Térmitas (LET) da UEPB, já existe há cinco anos e tem como um dos objetivos desmistificar mitos e aversões que as pessoas costumam ter em relação aos insetos, divulgando algumas práticas que podem ser tomadas para evitar infestações e proliferações. Atualmente o projeto conta com 12 alunos do curso de Biologia. Um dos responsáveis pela fase atual do projeto é o estudante do curso de Biologia, Igor Eloi Moreira. Durante o minicurso ele também procurou desmistificar alguns mitos e detalhou como funciona a família dos cupins. igor mostrou que os cupins têm um sistema de castas bem definidos e funções específicas dentro da “colônia”. Os “soldados”, “operários” e “reprodutores” compõem a organização social desses insetos.

Jéssica Gabriel de Albuquerque, está no 2º período de Biologia e há dois meses passou a fazer parte do projeto. Ela revelou que se interessou pelo assunto e pretende aprofundar os conhecimentos para futuramente colaborar com o controle do inseto na cidade. Os pesquisadores envolvidos fazem a orientação da população e conscientizam sobre as práticas para lidar com infestações de cupim, com melhora do manejo e redução do uso de inseticidas, os quais acabam por selecionar espécies residentes.

O projeto já trabalhou em escolas e fez visitas em bairros como Bodocongó, Monte Castelo, Monte Santo e Santa Rosa, além de ter realizado atividade com alunos dos cursos de Biologia e Engenharia Ambiental da UEPB. Os cupins, segundo os pesquisadores, têm um importante papel ecológico, porque se alimentam também de restos de troncos de madeira, acelerando o processo de decomposição e ciclagem de nutrientes no solo. Entretanto, muitas espécies se adaptaram em meios urbanos, gerando problemas para a população.

 

Texto: Severino Lopes
Fotos: Edvânia Barbosa