Grupo de Estudos Paulo Freire aborda livro Pedagogia da Esperança em evento com comunidade potiguara

14 de abril de 2021

Parece uma ironia do tempo, mas o educador brasileiro mais atacado dos últimos anos, Paulo Freire, tem seu centenário comemorado em 2021. Então, para a infelicidade de seus detratores, só se fala dele. Na próxima sexta-feira (16), às 16h30, em Campina Grande, uma nova iniciativa se soma às várias efetuadas para celebrar o nascimento do patrono da educação brasileira, posto que o Grupo de Estudos Paulo Freire (GESPAUF) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) realizará o evento “Dialogando com a comunidade potiguara”.

A atividade ocorrerá em formato de “live”, sendo gravada no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), com uma equipe reduzida, em decorrência da pandemia do novo Coronavírus. A veiculação se dará pelas redes sociais da UEPB, no Facebook e YouTube, por meio da Coordenadoria de Comunicação (CODECOM).

Comporão a iniciativa membros da comunidade potiguara de Baía da Traição (PB), o pró-reitor de Cultura da UEPB e integrante do Gespauf, José Cristóvão de Andrade, o pró-reitor adjunto e diretor do MAPP, José Pereira da Silva, o diretor da Editora da Universidade Estadual da Paraíba (EDUEPB), Cidoval Morais, o professor Afonso Celso Escocuglia, detentor de reconhecida atuação na área do pensamento freiriano, e o presidente do Conselho Estadual de Educação da Paraíba, José Jakson Amâncio. A oportunidade também foi elaborada de modo a marcar a passagem do Dia do Índio, que transcorrerá na próxima segunda-feira (19).

Uma das temáticas que permeará a ocasião advém do livro “Pedagogia da Esperança”, escrito por Freire em 1992. “Nossa intenção é nesse contexto sanitário da Covid-19, refletir como os potiguaras estão enfrentando essa realidade difícil, principalmente no campo da educação, na perspectiva de sonhos, de melhorias de vida, da concretização de suas bandeiras de luta. Paulo Freire dizia que é preciso ter esperança, só que não no sentido da utopia, mas do colocar em prática, do esperançar. Ele explicava que existe aquele tipo de esperança que vem do verbo esperar, em que basicamente a gente apenas aguarda que as coisas mudem. Para ele, esperançar é não desistir, é acreditar e se mobilizar para acontecer, é ter fé ativa nas obras”, explanou o pró-reitor de Cultura.

Sobre o Gespauf
O Gespauf foi criado em 2005, sob o olhar atento do professor Cícero Agostinho. “Cícero faleceu em julho do ano passado, deixando uma tristeza e um vazio enormes no Grupo, mas também ficou a certeza de continuarmos o que ele propunha e incentivava, a exemplo das ponderações e aprofundamento sobre a Educação Popular, bem como do resgate, conservação, estudo e desenvolvimento da memória histórica e do patrimônio cultural e natural das comunidades”, revelou Andrade. Hoje, o Grupo congrega cerca de 30 componentes, entre alunos, pesquisadores, docentes e ativistas, que se reúnem mensalmente.

Andrade acrescentou que o GESPAUF intenta socializar as discussões acerca da obra daquele que é considerado um dos mais ilustres pensadores da Pedagogia mundial. “Almejamos, ainda, difundir os trabalhos deixados por Paulo Freire, honrando o seu legado como é merecido, notadamente na contramão da onda neoconservadora, que tende a desqualificá-lo”, disse. Este ano, a propósito, o Grupo foi contemplado com uma arte inédita e exclusiva feita pelo artista pernambucano Jô Oliveira, especialmente para festejar o centenário.

Para Andrade, nesses 16 anos do GESPAUF, muitas vitórias foram conquistadas. Uma delas se deu em dezembro de 2020, quando a Central de Aulas da UEPB ganhou o nome de “Central Integrada de Aulas Paulo Freire”, mediante a aprovação do Conselho Universitário (Consuni). “O Grupo já organizou diversos eventos, esteve em simpósios nacionais e internacionais, orientou teses, dissertações, monografias, mas foi bem além disso, levando essas práticas para a coletividade, mostrando quão viáveis e atuais são os escritos freirianos”, finalizou.

Texto: Oziella Inocêncio