Estudante de Fisioterapia desenvolve cartilha em braile para orientar deficientes visuais sobre postura

18 de dezembro de 2017

O que seria apenas mais uma pesquisa de uma graduanda do curso de Fisioterapia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) se transformou em Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, posteriormente, em uma ferramenta que pode facilitar a vida das pessoas com deficiência visual. Aluna do 9º período do curso, Paloma Raquel Araújo Gomes, encontrou na disciplina “Fisioterapia na Saúde Coletiva”, ministrada pela professora Cláudia Holanda Moreira, a inspiração para desenvolver um projeto que visa favorecer a vida dos deficientes visuais do Instituto dos Cegos de Campina Grande.

A cartilha “Orientações posturais” foi escrita no sistema braille e proporciona aos usuários ter contato com um material pedagógico em um sistema próprio de leitura para pessoas cegas. Embora o trabalho tenha cumprido a uma exigência para a conclusão do curso, Poliana resolveu produzir a cartilha a partir da necessidade do próprio Instituto dos Cegos, onde a turma da professora Cláudia Holanda desenvolve atividades.

Para realizar o projeto, Paloma usou material emborrachado para a exploração tátil e cola alto relevo. A impressão foi feita no Núcleo de Educação Especial da UEPB, que funciona em uma das salas do 3º andar da Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó. A aluna explicou que, devido a perda de visão, os deficientes visuais adotam determinadas posturas inadequadas como a anteriorização da cabeça e a protusão dos ombros que termina gerando uma hipercifose torácica que consiste no aumento da curvatura no plano sagital da coluna torácica.

Devido a esses aspectos, eles pode ter, futuramente, comprometimento na postura e alterações na saúde como um todo. Para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas, é que a futura fisioterapeuta resolveu investir na produção da cartilha, que tem como objetivo fazer com que esse segmento da população adquira conhecimentos sobre a coluna e como funciona essa importante parte do corpo humano, a partir de um material de consulta acessível diante das suas necessidades especiais.

Na cartilha também foram incluídas orientações para melhorar as posturas durante os hábitos de vida das pessoas portadoras de deficiências visuais. Incentivadora da iniciativa, a professora Cláudia Holanda Moreira reafirmou que a cartilha surgiu da necessidade dos portadores de deficiência visual, tendo sido transformada em uma pesquisa para o Trabalho de Conclusão de Curso. A docente observa que a cartilha é um instrumento importante de promoção de saúde e inclusão para a população do Instituto dos Cegos.

Para produzir o material, a estudante teve que conhecer um pouco a rotina dos deficientes visuais. A turma da professora Cláudia realiza no Instituto um trabalho de orientação postural. São oficinas relacionadas a equilíbrio e postura. Integrante do Núcleo de Educação Especial, o servidor Alindembergue de Araújo Oliveira afirmou que a cartilha é um instrumento muito importante para as pessoas com deficiência visual que leem em braille.

Ele ressaltou que o material proporciona às pessoas com deficiência visual ter um contato direto com o material pedagógico. “Não temos muitos materiais pedagógicos em braille. Temos muita literatura, mas materiais acadêmicos e pedagógicos temos pouco. Então essa cartilha vem em um bom momento”, comentou Alindembergue, que é servidor da UEPB e também aluno do curso de Gestão Pública.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Givaldo Cavalcanti