Especialista destaca que mananciais paraibanos estão com metade da capacidade total de armazenamento

27 de março de 2019

Em meio às crises hídricas e intempéries climáticas, a Paraíba dispõe atualmente de pouco mais de 1,5 bilhão de metros cúbicos de água armazenada nos mananciais monitorados pela Agência Executiva de Gestão das Águas (Aesa). O valor é praticamente a metade dos 3 bilhões que os reservatórios espalhados por todo o Estado têm capacidade de armazenar.

Dados como esse foram apresentados nesta quarta-feira (27), na Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), durante palestra promovida pela Coordenação do Curso de Geografia do Câmpus I, em alusão ao Dia Mundial das Águas, celebrado no dia 22 de março que contou com a participação do ex-presidente da Aesa, João Fernandes da Silva.

Preocupado em sensibilizar a população a valorizar e usar de forma racional esse recurso cada vez mais escasso e fundamental para a sobrevivência humana, João Fernandes ministrou o tema “Água: o sangue da Terra”, no Auditório II da Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande, percorrendo o caminho do reconhecimento da importância da água, a começar pelo ano de 1952, quando já se apresentava essa preocupação mundial, mas que só veio a se consolidar em 199, com a primeira Conferência das Águas, na Argentina.

João ressaltou que a situação dos recursos hídricos na Paraíba hoje é confortável se comparada com um ano atrás, mas a população precisa evitar o desperdício de água e usar esse bem com moderação. “Hoje nós temos 150% a mais do que tínhamos um ano atrás. No ano retrasado, iniciamos com 10%. Hoje, temos mais de 25% de nossa capacidade armazenada”, destacou, acrescentando que as condições climáticas estão favoráveis a continuidade das chuvas, o que é muito bom, visto que a Paraíba precisa de anos de invernos para recarregar todos os seus mananciais, a exemplo do sistema Boqueirão, Acauã e o Complexo Coremas Mãe D’Água, que tem capacidade de armazenar 1,2 bilhão de metros cúbicos de água.

Segundo João Fernandes, os estados do Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte e Pernambuco têm apenas 0,5% da água de todo o Brasil e a água advinda da Transposição do Rio São Francisco chegou para garantir exclusivamente o consumo urbano. Em todo o planeta, conforme ilustrou João, 70% da água existente é destinada para a agricultura e pecuária, R$ 20% para o comércio, indústria e serviço, e apenas 10% para o consumo humano. “É provável que a gente resolva o problema do consumo humano, mas não resolveremos os demais se não fizermos uma administração razoável dos outros consumos”, enfatizou.

Coordenador do curso de Geografia e do evento, o professor Faustino Moura Neto destacou que a água é um tema que interessa muito ao campo de estudo da Geografa. Ele lembrou a histórica relação do homem com os recursos naturais renováveis, especialmente, na região nordestina. “A Universidade não pode fugir desse papel de discutir um tema tão importante como esse da relação da humanidade com as questões hídricas”, destacou.

Um dos especialistas no tema na UEPB, o professor do Departamento de Geografia, Ozéas Jordão, ressaltou que a população precisa ter consciência da importância que esse mineral tem para a sobrevivência da humanidade e para a sustentação da vida como um todo. “A água é como o sangue da terra. Nesse sentido, a UEPB tem dado uma grande contribuição nesse debate, promovendo eventos e apoiando entidades que estão com essa preocupação”, ressaltou.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Márcia Dias