Equipe de Enfermagem da UEPB defende tratamento humanizado para pessoas com distúrbios psiquiátricos

22 de maio de 2019

Em defesa da reforma psiquiátrica, do fim da internação compulsória, do fechamento dos chamados “manicômios” e a favor de um tratamento decente e humanizado às pessoas que sofrem de algum distúrbio psiquiátrico, alunos do 6º período do Curso de Enfermagem da Universidade Estadual da paraíba (UEPB), aderiram à luta antimanicomial. Na tarde desta terça-feira (22), eles trocaram a sala de aula por uma atividade educativa, mostrando a importância da causa. A atividade, que fez parte da disciplina “Saúde Mental na Enfermagem”, ministrada pela professora Larissa Nogueira, aconteceu no hall da Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande.

Com cartazes e panfletos produzidos em sala de aula, além de quadros pintados por pacientes de um hospital psiquiátrico da cidade, as estudantes procuraram expor a problemática dos manicômios e sensibilizar a comunidade universitária para a luta em prol de um tratamento humanizado. Durante a ação, que teve o apoio do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), houve momentos musicais e panfletagem. O evento fez alusão ao Dia Nacional de Luta Antimanicomial, celebrado no último sábado (18), contra todas as formas de manicômio.

Professora da turma e responsável por mobilizar os alunos, Larissa Nogueira ressaltou que um dos objetivos da atividade foi explanar sobre a luta pelo tratamento humanizado e sensibilizar a comunidade universitária para a quebra do paradigma que gira em torno do doente mental. “É importante trazer essa discussão para a sociedade e, especialmente, para a academia, porque é a luta de um povo que é estigmatizado ainda”, observou. A professora enfatizou que a luta é em favor de um tratamento digno e com respeito, sem a necessidade de internação.

Ela destacou que a UEPB procura preparar os futuros enfermeiros e enfermeiras para realizar um trabalho humanizado, independente dos locais em que estiverem atuando. A professora enfatizou que na disciplina “Saúde Mental” são abordados todos os transtornos mentais que acometem os pacientes de forma geral. “A gente não quer que eles sejam maltratados e tratados em manicômios, esquecidos. A luta antimanicomial é contra isso”, salientou, acrescentando que a mobilização pela reforma psiquiátrica é para fechar os hospitais psiquiátricos e abrir serviços que substituam essas unidades, que são os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). “Os CAPs tratam os pacientes de forma mais humanizada, mais digna e dentro da reforma psiquiátrica”, lembrou.

No total, 19 estudantes participaram da atividade. Dentre eles, Eliel de Neves Monteiro, Celma Aires de Monteiro, Valdizia Mendes e Danielle Dayse de Sousa Diniz participaram de uma espécie de roda de conversa sobre o tema. Em sua explanação Valdizia ressaltou que os estudantes estão habituados a tratar do assunto em sala de aula e atividade fora desse ambiente consiste em uma experiência enriquecedora devido a troca de experiência. Ela observou que a atividade provoca curiosidade nas pessoas que não conhecem a luta antimanicomial e desperta os interesses dos alunos.

A estudante Celma Aires lembrou que muitos alunos ainda desconhecem essa luta, o que torna importante a disseminação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula. Eliel de Neves Monteiro ressaltou que, no século atual, muitas pessoas estão sendo acometidas por doenças mentais e muitos profissionais de saúde estão apenas tratando a doença e não o doente. “Estamos aqui para mostrar que a gente pretende ir além disso e ir no íntimo da doença. É importante estudarmos o psicológico das pessoas”, destacou. Dayse Diniz disse que os estudantes de Enfermagem têm a preocupação de também oferecer informações e serviços à comunidade universitária. Ela também destacou a necessidade do fechamento dos manicômios e da ajuda das famílias nessa luta.

A coordenadora adjunta do Curso de Enfermagem, professora Ardigleusa Alves Coelho, prestigiou a atividade e elogiou a equipe, por se envolver diretamente na luta pelo fechamento dos manicômios, pelo fim da internação compulsiva e a favor da reforma psiquiátrica com tratamento humanizado. Além do trabalho no Curso de Enfermagem, a UEPB conta uma Especialização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial e um convênio com o Ministério da Saúde, destinado aos profissionais dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPs).

Texto: Severino Lopes
Fotos: Givaldo Cavalcanti