Aula prática do Câmpus de Lagoa Seca da UEPB ensina técnica para alimentação do gado durante a seca

16 de junho de 2016

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Em tempos de seca, em que a escassez de água afeta a produção de alimento usada para o animal, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), através do Centro de Ciências Agrárias Ambientais (CCAA) do Câmpus II, em Lagoa Seca, apresenta uma alternativa ainda pouco utilizada pelos produtores paraibanos, mas que pode garantir a sobrevivência do rebanho no período de crise. Trata-se do uso de técnicas de conservação de forragens como a ensilagem e a fenação, uma reserva alimentar estratégica e altamente nutricional, que pode ser conservada por até quatro anos, permitindo aos produtores alimentar o rebanho e ainda garantir uma renda constante ao longo do ano.

A transferência do conhecimento sobre a ensilagem foi feita nesta quinta-feira (16), para 15 estudantes da Escola Agrícola Assis Chateaubriand (EAAC) que estão participando ao longo da semana de um curso técnico de férias em Agroecologia, realizado em parceria com a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (Emepa-PB). Na parte prática do curso os estudantes trocaram a sala de aula pelo campo e aprenderam como é feita a produção e o manuseio da ensilagem. Durante a aula de campo, eles receberam as orientações do técnico e pesquisador da Emepa, Salvino de Oliveira Junior, e ainda puderam ajudar nas diversas etapas do processo de ensilagem.

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Inicialmente, Salvino de Oliveira, acompanhado do professor Djair de Queiroz, do CCAA, mostrou as técnicas de fenação, através das quais os alunos aprenderam como é feito o corte do capim, o armazenamento na máquina manual de prensar, a amarração usando cordão de agave até a confecção do fardo. Durante a produção, Salvino e Djair ressaltaram a importância do capim usado no processo ser o mais seco possível, o que conserva o seu valor nutritivo. O capim foi previamente desidratado durante dois dias antes de ir para a prensa, virar fardo e depois ser armazenado para o consumo animal.

Em seguida, os estudantes se dirigiram até o cilo, onde acompanharam o processo de silagem, desde a trituração na máquina até a cobertura do material por uma lona. A matéria-prima (capim), foi cortada em pequenos pedaços e armazenada em um tanque de cimento, chamado silo. Posteriormente o produto foi prensado pelos próprios estudantes, para retirar todo o oxigênio, e coberto com uma lona. Sobre ela, uma camada de 15 centímetros de terra foi adicionada para evitar o aquecimento excessivo do sol.

A perspectiva é que após 30 ou 40 dias ocorra a fermentação do conteúdo, resultando no produto final. O estudante Matheus Balbino da Silva, morador de Remígio, disse que iria transferir os conhecimentos adquiridos para produtores da região. Com o mesmo pensamento, a estudante Amanda de Medeiros Barros, também natural de Remigio, enfatizou que a técnica pode ajudar muitos produtores da região a manter o rebanho em tempos de seca. Por sua vez, o estudante Fabrício Fernandes, de Campina Grande, ressaltou a forma simples e artesanal como o processo é feito.

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Segundo o professor Djair Queiroz, todo o processo apresentado permitirá aos estudantes ajudar os pequenos e médios produtores a conviver com a seca. “O processo de ensilagem se dá para os alunos complementarem os seus conteúdos. Como muitos são filhos de produtores, eles precisam de informações sobre técnicas que possam auxiliar no convívio com a seca”, explicou o professor.

A ensilagem é uma técnica de armazenamento de ração animal ainda pouco difundida na Paraíba. O procedimento consiste em um tipo de conservação de matérias primas, como o milho, o sorgo ou milheto, que concentram quantidades significativas de fibras, proteínas e minerais que irão garantir a qualidade do leite e da carne do animal alimentado com estes produtos. A técnica pode ser aplicada usando um silo de trincheira, em que é cavado um buraco e impermeabilizado ou o silo superfície, preferencialmente em um local seco para armazenar o alimento.

A proposta é que o material seja retirado paulatinamente ao longo do ano para ser fornecido ao animal. O Câmpus II da UEPB dispõe de cerca de dois hectares de capim plantado e em cada silagem é armazenada cerca de três toneladas do produto. A reserva estratégica será consumida internamente pelos animais da UEPB, a partir do mês de outubro, de acordo com a necessidade do gado existente no Câmpus. Professor Djair ressalta que o processo de ensilagem conserva todas as quantidades de proteínas, cálcio, fósforo e minerais, além de evitar a desidratação, diferente do produto armazenado no campo sem estar no ponto de maturação.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Franklin Bonfim