8º Seminário de Saberes Arquivísticos tem início com discussão sobre arquivologia sob a ótica interdisciplinar

17 de agosto de 2017

Com o objetivo primordial de discutir a Arquivologia sob a ótica interdisciplinar, promovendo o diálogo de pesquisadores do Brasil e de outros países, foi realizada, na noite desta quarta-feira (17), a conferência de abertura do 8º Seminário de Saberes Arquivísticos (SESA). O evento, que surgiu a partir de uma atividade curricular no curso de Arquivologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), tornou-se um projeto de pesquisa e extensão e, nesta edição, é realizado em parceria com a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com a participação de pesquisadores e estudantes de todo o país e exterior, consolidando o SESA como um evento de caráter internacional.

A mesa de abertura do evento contou com a participação do representante do reitor da UEPB, Rangel Júnior, o coordenador geral da Pós-Graduação Stricto Sensu, José Germano Véras Neto; o diretor adjunto do Centro de Ciências Biológicas e Sociais Aplicadas (CCBSA), Ênio Wocyli Dantas; a vice-reitora da UFPB, Bernardina Freire; o diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) da UFPB, Walmir Rufino; a coordenadora-geral do SESA, professora Eliete Correia dos Santos; a chefe de Departamento do CCSA da UFPB, Edna Gomes Pinheiro e a Coordenadora do curso de Arquivologia da UEPB e vice-presidente da Associação dos Arquivistas da Paraíba (AAPB), Esmeralda Porfírio de Sales.

Na oportunidade, a coordenadora geral do SESA, professora Eliete Correia dos Santos, relembrou a trajetória do projeto desde o início, quando ainda era uma atividade de sala de aula, destacou a ampliação dessa iniciativa e as novas perspectivas para edições futuras.

“Estamos satisfeitos pois sabemos da contribuição desse projeto para a sociedade e a academia. E isso acontece porque reunimos pessoas trabalhando em prol de um único objetivo. Ao longo desses anos de atividades, tivemos vários parceiros, instituições brasileiras e do exterior que nos ajudaram a fazer do SESA o evento que é hoje. E a nossa programação desse ano reflete isso, não queríamos priorizar uma única região, e trouxemos palestrantes e pesquisadores de vários lugares do Brasil e de fora, o que resultou num evento com caráter internacional”, esclareceu a coordenadora.

A professora Eliete aproveitou a solenidade para informar os presentes sobre os locais que sediarão as próximas edições do SESA, que agora torna-se um evento bianual. “A próxima edição do SESA será em Coimbra em 2019, e em 2021, realizaremos nosso evento na Universidade Porto, que sediará o evento em parceria com o Instituto Politécnico do Porto”, explicou.

Para a coordenadora do curso de Arquivologia da UEPB, professora Esmeralda Porfírio, eventos como o SESA consolidam a Paraíba no cenário da Arquivologia e a parceria entre UEPB e UFPB, que fortalece a área. “Um evento que começou em menor proporção, deixou de ser nacional para ser internacional, e hoje é desenvolvido conjuntamente por duas universidades da única cidade do país a contar com dois cursos de Arquivologia oferecidos em instituições públicas. E, diante de cenários tão desafiadores para a educação brasileira e a Arquivologia, a parceria é necessária para que possamos buscar a consolidação da área com base no conhecimento”, avalia.

Após a mesa de abertura foi realizada a conferência “A arte dos arquivos e o arquivo dos artistas”, ministrada por Maurício Lissovsky, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador de Comunicação e Informação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Na ocasião, o conferencista apresentou a relação entre arquivo e arte. “No campo da arte já existem vários artistas que trabalham com material de arquivo. No cinema, por exemplo, há uma discussão sobre o modo como os arquivos são utilizados, mas, percebemos que o curso de Arquivologia permanece distante desse tipo de discussão. Então eu acho importante discutir essa necessidade de permitir à Arquivologia ser atravessada por novos olhares, sobretudo a relação entre a arte e os arquivos, o que chamo de poesia dos arquivos”, declarou Lissovsky.

Programação

Além de palestras e mesas-redondas, antes da abertura oficial, foram oferecidos 12 minicursos, nos dias 14 e 15 de agosto, com discussões sobre: “Paleografia”, “Consultoria em gestão documental”, “Classificação de documentos de arquivo”, “Elaboração de trabalhos acadêmicos”, “Combate à corrupção e o papel do profissional de arquivologia”, “Conservação preventiva de documentos”, “Marketing 3.0”, “Análise dialógica do discurso”.

Também compõem a programação do evento a apresentação de trabalhos científicos de estudantes e pesquisadores de várias partes do país. Todos os trabalhos integrarão os anais do SESA e os melhores artigos serão premiados pela Comissão Científica. As atividades seguem até esta sexta-feira (18).

A partir desta edição comemorativa de dez anos do SESA, a premiação receberá o nome “Prêmio José Maria Jardim”, em homenagem a um dos pesquisadores mais conceituados da Arquivologia, no Brasil. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e autor de vários livros e artigos sobre informação e Arquivologia, José Maria Jardim tem contribuído para a consolidação da Arquivologia no País. Os contemplados com o “Prêmio José Maria Jardim” receberão kits de livros e o primeiro lugar levará, ainda, a gratuidade da inscrição para o Congresso Nacional de Arquivologia (CNA), que será realizado em 2018, também em João Pessoa.

Texto e fotos: Juliana Marques