1º Encontro de Psicologia e Cidadania da UEPB debate sobre políticas democráticas e práticas emancipatórias

14 de novembro de 2018

O papel da Universidade e da Psicologia em defesa da democracia e nas lutas históricas foi debatido por professores do Departamento de Psicologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), durante o 1º Encontro de Psicologia e Cidadania. Com o tema “Psicologia social, políticas democráticas e práticas emancipatórias”, o evento foi aberto, na manhã desta quarta-feira (14), pela professora Ana Elizabeth Araújo Luna, e pela coordenadora do Curso de Psicologia, Laércia Maria Bertulino de Medeiros que destacaram a importância da temática na conjuntura atual.

A atividade, realizada pelo Departamento de Psicologia, no Auditório do curso, no Câmpus de Bodocongó, reuniu professores, estudantes de graduação e de pós-graduação, além de profissionais da área que promoveram importantes discussões através de mesas redondas, oficinas e roda de conversa. A mesa de abertura, “O papel da universidade e da psicologia em defesa da democracia, inclusão e direitos sociais”, contou com a participação dos professores do Departamento de Psicologia, Railda Fernandes Alves e Jorge Dellane da Silva Brito, sob a mediação da professora Ana Elizabeth Araújo.

Professora da UEPB há quase 40 anos, Railda contextualizou o processo de regulamentação da Psicologia no Brasil, bem como o contexto de implantação do curso na então Universidade Regional do Nordeste (Urne). Aluna da turma pioneira do curso de Psicologia, em 1978, professora Railda disse que é importante para as novas gerações conhecerem os fragmentos históricos e as lutas memoráveis travadas ao longo de quatro décadas em prol de um curso de qualidade e com democracia.

Ex-aluno da professora Railda e integrante da nova geração de docentes do Departamento de Psicologia, o professor Jorge Dellane da Silva Brito abriu o debate afirmando que Brasil vive um momento de incertezas e com um futuro preocupante. Ele tratou da história da Psicologia que, segundo ele, foi constituída a partir de contradições e transformações até a contemporaneidade. Jorge Dellane destacou que a Psicologia, uma invenção de pouco mais de 100 anos, é constituída historicamente de elementos de libertação ou opressão.

“A Psicologia também comporta tensões e contradições internas. Diferente do que muitos pensamentos positivistas acreditavam no século XIX, as Ciências não lidam com realidades objetivas, mas são construções subjetivas e históricas, que acompanham as mudanças da sociedade”, observou. Entre o espaço de tensão e a luta, Jorge Dellane disse que a universidade tem um papel importante e pode ajudar a construir uma psicologia cada vez mais voltada para a inclusão social e para as causas mais libertárias, especialmente no momento atual que o Brasil está vivendo.

A professora Elizabeth Araújo frisou que organizar o 1º Encontro de Psicologia e Cidadania foi uma grande responsabilidade, dada a conjuntura que o país atravessa. Ela ressaltou que o evento foi pensado com a missão de retomar o debate em torno do papel da Psicologia, desde a época da Ditadura Militar, e a sua luta pela construção de uma sociedade democrática. A professora lembrou que, historicamente, a Psicologia participou dos movimentos de luta e pela redemocratização do país.

“Para construirmos um presente de consciência crítica e um futuro de esperança e perspectivas, não devemos esquecer da nossa história. Enquanto cidadãos, devemos lembrar da história brasileira e lembrar de um momento duro como foi a Ditadura Militar, para valorizarmos a democracia e garantir os direitos conquistados no presente e no futuro”, enfatizou.

Em seguida foi realizada a mesa redonda “Políticas públicas e práticas interventivas em Psicologia Social”, coordenada pela professora Thelma Maria Grisi Veloso. O evento seguiu a tarde com oficinas, rodas de conversas e a mesa redonda “Psicologia e movimentos sociais: resistência e luta por justiça social”; coordenada pela professora Suenny Fonseca de Oliveira.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Givaldo Cavalcanti