19ª Reunião Anual da Sociedade de Pesquisa debate internacionalização da pesquisa odontológica

8 de novembro de 2017

Por que publicar é importante? Uma das palestras da 19ª Reunião Anual da Sociedade de Pesquisa Odontológica, que teve início na noite desta terça-feira (7), no Auditório da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP), fez esse questionamento e mostrou os desafios da produção científica, bem como as estratégias que devem ser utilizadas para enfrentá-los, a exemplo das publicações em revistas com boas qualificações. O tema foi proferido na manhã desta quarta-feira (8) pelo professor Saul de Paiva Martins, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo ele, a oferta de eventos nas áreas específicas proporcionam uma troca muito positiva com a comunidade científica nacional e internacional e o consequente crescimento profissional e acadêmicos dos alunos de graduação e pós-graduação. “Nos eventos, como congressos e simpósios, estão presentes os mentores, os revisores dos trabalhos, os pesquisadores que podem te citar e até os futuros colaboradores de suas pesquisas. Eles são favoráveis para estabelecer o network, aproximar pessoas, fazer vínculos profissionais e conhecer conteúdos novos”, destacou o professor.

A Reunião Anual está sendo promovida pelo Programa de Pós-Graduação em Odontologia (PPGO) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e tem como tema central “A internacionalização no fortalecimento da pesquisa odontológica”. O evento reúne até a próxima sexta-feira (10) cerca de 550 participantes, envolvidos com as questões abordadas em quase 400 trabalhos inscritos e que estão sendo apresentados através de painéis, mesas redondas e palestras.

Sérgio D´Ávila, professor da UEPB e atual vice-presidente da Reunião e da SNNPqO, lembrou que Campina Grande sedia pela segunda vez este encontro, tendo o último ocorrido em 2007. “Grande parte da diretoria dessa sociedade é da UEPB, o que é importante como divulgação do nome da Universidade, também para suas pesquisas científicas, para a Paraíba e para a sociedade”, frisou o professor que, no próximo ano, assumirá a presidência da Sociedade Norte-Nordeste até 2020.

Ele ressaltou que a Reunião aceitou apenas trabalhos de pesquisa, grande parte com efetiva participação da iniciação científica da UEPB. “Temos trabalhos nas áreas de epidemiologia, patologia oral, imagem, que foram realizados na UEPB ou através de parcerias entre ela e outras instituições, como as universidades federais de Minas Gerais (UFMG), Pernambuco (UFPE), Rio Grande do Norte (UFRN), Goiás (UFG), entre outras, que são nossas parceiras em pesquisas. No último dia do evento, vamos premiar os melhores trabalhos de cada uma das 10 áreas e também entregar menções honrosas”, salientou.

Pesquisas científicas

Um exemplo desta integração acadêmica interinstitucional foi o trabalho “Liberação e captação de flúor de cimentos de ionômero de vidros convencionais”, apresentado pela aluna do 5º Período de Odontologia da UEPB, Camila Lincoln Carneiro de Melo, que junto aos seus colegas analisou três diferentes marcas de cimentos de ionômero (material com múltiplas finalidades, utilizado na Odontologia para restaurar, selar fissuras, realizar forramentos, selar pinos e peças ortodônticas), com o objetivo de verificar a sua liberação contínua de flúor.

O trabalho, que é orientado pela professora Waldênia Freire, conta com envolvimento de estudantes de outras duas instituições: Faculdades Integradas de Patos (FIP) e Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). Como resultado, os pesquisadores perceberam que a concentração de flúor na cavidade oral ocorre até 28 dias após a fixação do “cimento” nos dentes. “Este é um material que promove um processo de remineralização e é anticariogênico, porque além de restaurar provisoriamente e fazer um ‘curativo’, também libera flúor e protege o dente contra cáries”, explicou a graduanda.

Para ela, que participa pela primeira vez da Reunião, é engrandecedor fazer parte de um evento na própria cidade, receber pessoas de vários estados e promover uma ampla integração com outras instituições e conhecimentos. “Esta é uma oportunidade ímpar para o aluno sair da sala de aula, compartilhar o que aprendeu nas clínicas e laboratórios, ter contato com gente de fora e ampliar suas visões de mundo, de profissão. É um enriquecimento não só profissional, mas também pessoal”, enfatizou Camila.

Até o seu encerramento, o evento debaterá assuntos como “Ética na publicação científica”, “Hipomineralização molar-incisivo”, “Pesquisa em Odontologia Adesiva”, “Tecnologia 3D e Odontologia”, “Novas tecnologias de imagem”, “Tomografia por coerência óptica e nanopartículas a serviço da saúde” e “Novas técnicas de microscopia para diagnóstico em saúde”.

A solenidade de abertura realizada na noite de terça contou com a presença da pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UEPB, Maria José Lima; da presidente da Reunião SNNPqO, professora Patrícia Meira Bento; do presidente do SNNPqO, professor Gustavo Pina Godoy; do presidente da Sociedade Brasileira de Pesquisa Odontológica, professor Carlos Eduardo Francci; da presidente de honra do SNNPqO, professora Maria Carmeli Correia Sampaio; do pró-reitor de Pós-Graduação da Universidade Federal de Campina Grande, Benemar Alencar; do coordenador da área de Odontologia da Capes, Carlos José Soares; da presidente do Conselho Regional de Odontologia PB, Ana Maria Lucena; do presidente da Associação Brasileira de Odontologia PB; da diretora do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde (CCBS), Alessandra Teixeira; e da chefe do Departamento de Odontologia da UEPB, Nadja Maria da Silva Oliveira.

 

Texto: Giuliana Rodrigues
Fotos: Paizinha Lemos e Giuliana Rodrigues