UEPB discute com secretários municipais de saúde ações para combater arboviroses

16 de Março de 2017

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Com a meta de propor a implementação de ações coletivas comuns e de tecnologias sociais para enfrentamento de arboviroses como dengue, zika e chikungunya, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) reuniu na manhã desta quinta-feira (16) secretários de Saúde dos municípios paraibanos que integram o Consórcio São Saruê e um projeto da Instituição. O evento, realizado no Auditório da Biblioteca Central, no Câmpus de Bodocongó, foi o primeiro dessa natureza e fez parte das ações do projeto “Univer-Cidade”, por meio do projeto “Tecnologias Sociais e Educação Ambiental para o Controle Vetorial de Arboviroses: Promovendo a Saúde e a Qualidade de Vida no Semiárido Paraibano”.

Durante toda a manhã, os secretários conheceram detalhes do projeto, fizeram uma espécie de “radiografia” mostrando a realidade de seus municípios no que diz respeito aos índices de doenças transmitidas pelo Aedes Aegypti e ouviram sugestões de pesquisadores. Coordenador do Univer-Cidade e idealizador do encontro, o professor Cidoval Morais fez uma explanação geral do projeto e destacou a importância dos municípios participarem efetivamente das ações de combate às arboviroses. Ele destacou que a intenção inicial é fazer uma aproximação com os municípios do Consórcio Saruê integrados ao projeto e conhecer a realidade de cada cidade para, posteriormente, pensar em um projeto mais amplo, focado em ações ambientais e uso de tecnologias sociais para enfrentar as doenças transmitidas pelo mosquito.

A pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), professor Maria José Lima, deu as boas vindas aos secretários e enfatizou que o projeto em discussão foi aprovado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e Ministério da Saúde em tempos de recursos escassos. Ela afirmou que a UEPB vai colocar os recursos destinados pelo governo federal em prol do desenvolvimento da saúde pública do Estado, tentando encaminhar soluções para os problemas relacionadas às arboviroses. Maria José observou que o controle dessas doenças deve ser permanente e não apenas em tempos de “epidemia”. “Enquanto universidade geradora de conhecimento, temos que colocar para a sociedade esses conhecimentos”, frisou.

O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco, André Monteiro, disse que a UEPB pode contribuir muito para reduzir os dados preocupantes dos municípios que sofrem com as doenças oriundas do Aedes Aegypti. André disse ainda que as estratégias coletivas a serem realizadas pela Universidade e pelos municípios para o enfrentamento das epidemias não podem ser resumidas apenas na perspectiva tradicional de ataque ao mosquito, centrado no uso de agrotóxico. Ele observou que devido ao uso excessivo de veneno, o mosquito já adquiriu resistência. Para ele, é preciso entender e compreender os processos sociais que determinam o surgimento dessas arboviroses. A questão, segundo o pesquisador, vai além da guerra ao mosquito e tem relação direta com as questões de infraestrutura dos municípios. André Monteiro destacou que o mosquito se prolifera a partir das condições que existem em cada município. Para ele, o problema está relacionado a gestão da cidade, ao abastecimento de água, ausência ou precariedade do esgotamento sanitário, a drenagem urbana e a coleta adequada dos resíduos sólidos.

Secretária de Saúde de Juazeirinho, Joseilda de Morais do Nascimento, disse que a realidade da cidade é preocupante, visto que o município foi praticamente o pioneiro nas questões da microcefalia. Ela disse que os índices da doença estão altos, mas acredita que a parceria com a UEPB mudará as estatísticas. A mesma situação foi relatada pelo secretário de Saúde de Soledade, José Alves Lopes. Ele disse que o município não está imune às ações do mosquito e destacou que a Universidade terá um papel importante na luta para melhorar a saúde da população. O secretário também enfatizou que a Instituição pode ajudar a população a adquirir uma nova consciência e adotar medidas simples que impedem a proliferação do mosquito.

Além dos secretários de Juazeirinho e Soledade, participaram da reunião secretários das cidades de Olivedos, Tenório e Pocinhos. Integram ainda o projeto, as cidades de Assunção, Boqueirão, Junco do Seridó, Livramento, Santo André e Taperoá. Também participaram da reunião pró-reitores, pesquisadores e estudantes da área de Saúde da UEPB.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Franklin Bonfim