Semiárido é tema de aula magna do Curso de Agronomia e da Especialização em Sistemas Produtivos do CCHA

8 de agosto de 2019

O Centro de Ciências Humanas e Agrárias (CCHA) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) passa a viver um novo tempo. E a manhã da quarta-feira (7) foi marcada pelo início de uma caminhada que oferecerá uma formação contemporânea para os alunos que ingressaram no semestre 2019.2 na Instituição em Catolé do Rocha. O Auditório do Câmpus IV foi palco da aula magna de início das atividades do recém-criado Bacharelado em Agronomia e da Especialização em Sistemas Produtivos Sustentáveis para o Semiárido.

O professor convidado para esta primeira aula foi Daniel Duarte Pereira, docente da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), que abordou o tema “Agronomia e Semiaridez: desafios ou potencialidades?”. Caririzeiro da região de Sumé e uma das principais autoridades para falar sobre o Semiárido no Brasil, o professor vestiu o gibão de couro e abordou assuntos que foram além de reflexões sobre assuntos como seca e estiagem. Ao longo de sua exposição, ele ainda falou sobre as negatividades que são direcionadas ao semiárido, além de reafirmar as potencialidades de uma região que tem a capacidade de se sustentar a partir de uma ação consciente.

“Catolé do Rocha está inserida na região semiárida. E a semiaridez que envolve a questão agrária e agronômica é um tema bastante controverso, porque nós temos mais potencialidades na semiaridez do que desafios, como por exemplo o próprio clima. A condição climática, com pouca precipitação, podemos dizer assim, é excelente para o ramo da fruticultura, para a palma forrageira, alguns tipos de capins e muitos outros. Nosso objetivo aqui é mostrar que a semiaridez tem mais potencialidades do que desafios, já que, como não podemos modificar o clima, temos que aprender a conviver com ele”, explicou professor Daniel.

A bem vivência na semiaridez foi destacada durante vários momentos da aula. Segundo o professor, é preciso desmistificar o imaginário de que o semiárido é uma região pobre, com problemas que são colocados como as principais barreiras para o crescimento do Brasil. “Nós somos a solução para muitas coisas. Temos polos fruticultores, polos de energia solar e eólica nessa região, o que aponta que esses desafios são mais do ponto de vista midiático, como propaganda negativa, do que o que verdadeiramente temos”, acrescentou.

Daniel Duarte ainda agradeceu o convite para ministrar a aula, desejou sucesso para as atividades no CCHA e valorizou a importância do papel do engenheiro agrônomo no desenvolvimento de todas as áreas da sociedade. “O Brasil é um vasto celeiro para estudos nessa área, principalmente no semiárido, e precisamos cada vez mais de profissionais capacitados para atuar nessa frente. Não vejo a criação desse curso como uma concorrência aos cursos que já existem na Paraíba, mas sim como uma oportunidade de pesquisarmos produções típicas dessa região que devem ser enfatizadas a partir de cursos como esse”, pontuou.

O Bacharelado em Agronomia não implicou novas despesas para a UEPB. Além da infraestrutura, o Câmpus IV conta com um corpo docente qualificado, formado por 15 doutores e cinco mestres. O curso funcionará no turno diurno, terá carga de 3.600 horas/aula, duração mínima de 10 períodos e máxima de 15 períodos para conclusão da grade curricular.

Centro de Ensino ganha novo curso após 15 anos

A criação do Bacharelado em Agronomia, que passa a funcionar no Centro de Ciências Humanas e Agrárias da Universidade Estadual da Paraíba, em Catolé do Rocha, surge como um marco na história do Câmpus IV, uma vez que após 15 anos um novo curso de graduação foi implementado no CCHA. Esta nova formação conta com 100 vagas, sendo 70 ocupadas pelos graduandos da Licenciatura em Ciências Agrárias que migraram para o Bacharelado em Agronomia, além de 30 que foram destinadas exclusivamente ao ingresso de graduados no Curso de Licenciatura em Ciências Agrárias pela UEPB e que concluíram o curso a partir do período de 2015/1.

A modificação do cenário de formação profissional envolvendo o curso de Ciências Agrárias para o de Agronomia foi explicado pelo reitor da UEPB, professor Rangel Junior, como um marco importante não só para o Centro de Ensino, mas, sobretudo, para o município de Catolé do Rocha e toda a região. Segundo o reitor, essa mudança vai na contramão de todos os problemas que a educação pública vem enfrentando nos dias atuais, já que a Instituição não está criando uma despesa global, mas uma solução que não destrói o que já foi feito, e sim oferta uma nova possibilidade para os estudantes.

“Os estudantes vinham se formando, mas encontrando um mercado de trabalho fechado. Como não havia muitas oportunidades em concursos públicos para a área, por exemplo, essa proposta do curso de Agronomia é uma solução para um problema real que estávamos enfrentando. Essa solução gerou uma esperança, uma abertura para um tempo novo. Todos os professores e técnicos administrativos estão de parabéns, os estudantes também, porque encontramos uma saída que fortalece nossa Instituição e o compromisso em formar cidadãos e cidadãs capacitados para o mercado”, destacou Rangel.

A proximidade entre o curso de Agronomia e o antigo de Ciências Agrárias foi destacado também como algo importante nesse processo. Segundo a diretora do CCHA, professora Vaneide Lima Silva, apresentar uma alternativa para esses estudantes ampliou a perspectiva de qualificação na formação daqueles que têm uma relação de vida com as atividades das Ciências do Campo. “Quero destacar e valorizar o trabalho de toda a equipe que se empenhou muito para preparar o projeto, passar pelos conselhos universitários, para que hoje nossa realidade seja diferente. Essa mudança veio para confirmar a manutenção do Centro, o que nos deixa cada vez mais comprometidos em continuar nossa missão aqui no Câmpus VI”, disse professora Vaneide Lima.

Também participaram da aula magna do Curso de Agronomia e da Especialização em Sistemas Produtivos Sustentáveis para o Semiárido o diretor da Escola Agrotécnica do Cajuzeiro, professor Edivan da Silva Nunes; o coordenador do curso de Ciências Agrárias, José Alexandro Silva; o coordenador do curso de Letras, professor Rafael Melo; a chefe do Departamento de Agrárias, professora Elaine Gonçalves; o chefe do Departamento de Letras, professor Jairo Bezerra; além do vice-prefeito de Catolé do Rocha, Lauro Adolfo; e Socorro Muniz, gerente da 8ª Região de Ensino.

Texto e fotos: Givaldo Cavalcanti