Segunda etapa de Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos é realizada em Monteiro

14 de maio de 2018

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O 2° Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos, uma promoção da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), por meio da Pró-Reitoria de Cultura (PROCULT), teve como sede a cidade de Monteiro, na última sexta-feira (11). O evento contou com o apoio da Prefeitura Municipal e ocorreu nos períodos da tarde da noite, sendo vivamente acolhido pela comunidade em geral e acadêmica.

A abertura se deu no Campus VI, com as presenças do pró-reitor de Cultura, José Cristóvão de Andrade, do diretor adjunto do Centro de Ciências Humanas e Exatas (CCHE), Adeilson da Silva Tavares, da coordenadora local do evento, Dalila Gomes da Silva, da prefeita da cidade, Anna Lorena, e da secretária de Cultura e Turismo, Christianne Leal. Na oportunidade se apresentaram, trazendo poesia, humor e improviso, os emboladores de coco Canário e Condor, além do declamador José Ferreira Neto e do sanfoneiro mirim Raí Bezerra. A plateia era composta por sanfoneiros do município e estudantes do Curso de Sanfona do Núcleo de Cultura Zabé da Loca do CCHE.

O pró-reitor de Cultura ressaltou em sua fala o talento e a criatividade dos artistas caririzeiros, parabenizando-os. “Aproveito o ensejo para apontar o quanto a Arte possui esse papel de resistência, de enfrentamento das dificuldades. Sabemos o que está sendo feito das lideranças legítimas em nosso país. Vivemos um cenário politicamente crítico, em que a Democracia é atacada, e a Arte é um dispositivo para confrontá-lo, mas também um alívio para esses dias adversos”, afirmou. O diretor adjunto do CCHE destacou a satisfação por receber em Monteiro a segunda edição do Encontro. “É mais uma iniciativa da UEPB chegando a todos os lugares da Paraíba. Para Monteiro, que tem tradição quando se fala em música nordestina, é um verdadeiro presente”, contou.

A prefeita pontuou a profícua parceria existente entre a Prefeitura e o Campus VI. “São esforços somados em favor do município. Abraçamos a ideia desde o ano passado, principalmente porque se alinha ao nosso desejo de preservar o patrimônio cultural paraibano e divulgá-lo às novas gerações”, disse. Já a coordenadora local explanou que a realização do Encontro vem acender a importância dos sanfoneiros e tocadores de fole de oito baixos na região. “Monteiro tem uma identidade artística bastante forte. As pessoas daqui ser orgulham de serem daqui, em parte devido ao lindo trabalho que seus artistas fazem e o evento vem dar vigor a isso”, explicou.

Após a abertura, procedeu-se com as exibições dos inscritos. Os professores do curso de sanfona do Centro Artístico Cultural da UEPB, Edglei Miguel e João Batista, além de Claudinho de Monteiro, que é docente da mesma atividade, sendo que no Núcleo de Cultura Zabé da Loca, passaram algumas de suas experiências aos participantes, ressaltando temas motivacionais e referentes à importância das aulas. Os docentes sublinharam, ainda, o quanto hoje é relativamente mais fácil adquirir uma sanfona e o conhecimento necessário ao aprendizado dela, mas que essa “facilidade” termina por ofuscar o mais importante: a dedicação.

Entre os presentes à iniciativa estiveram também o diretor do CCHE, Marcelo Medeiros, o poeta e servidor Lino Sapo, que foi apresentador do evento, Alberto Alves, Uirá Agra e Igor de Carvalho, servidores da UEPB, um dos curadores da área de Música do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), Sandrinho Dupan e Luan Costa Medeiros, servidor da Instituição e integrante do Grupo de Percussão Maracagrande.

A prata da casa é ouro: Dejinha de Monteiro

No período noturno, na Praça João Pessoa, ocorreu a apresentação da Orquestra Sanfônica da UEPB e a divulgação da programação junina pela prefeita Anna Lorena. Em seguida, houve a homenagem a Dejinha de Monteiro. A “prata da casa”, muito festejada pela plateia, mostrou o quanto a população de Monteiro admira seus artistas. Acompanhado pelos músicos da Universidade, Dejinha desfiou na sanfona grandes sucessos do cancioneiro popular e recebeu, em seguida, um troféu confeccionado pelo artesão Érley Ventura. O troféu tinha a marca do Núcleo de Cultura Zabé da Loca da UEPB.

Filho de Monteiro, Dejinha começou bem cedo na música. Ainda jovem, tinha como um de seus brinquedos favoritos uma sanfona feita com palha de carnaúba. Dela lhe saíram os primeiros acordes, ainda que imaginários, enquanto pastorava o gado da família. Com 15 anos já animava festas pelo Cariri, mas antes desempenhou o ofício de “carregador de sanfonas”, o que o aproximou ainda mais da música que teria como norteadora de vida.

Aos 16 anos, viajou para o Rio de Janeiro. Lá trabalhou como servente de pedreiro, carpinteiro e pastilheiro. Também ocorreram nesse período as suas primeiras apresentações em rádios, a exemplo da Rádio Globo e da Nacional. Na mesma época, iniciaram suas exibições em casas de espetáculos, usualmente ladeado por medalhões da música, a exemplo de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Os Três do Nordeste, Luiz Vieira, As Irmãs Galvão e o Trio Nordestino.

Com mais de 40 anos de carreira artística e 30 trabalhos gravados, Dejinha, além de instrumentista, é cantor, compositor e produtor musical. Já teve composições gravadas por artistas como Flávio José, Novinho da Paraíba e Caju & Castanha. Em sua trajetória artística foi destaque na imprensa por várias vezes e recebeu diversas homenagens, a exemplo do Troféu Asa Branca e do Troféu Gonzagão – sendo, este último, por quatro anos consecutivos.

A sanfona como profissão

Em Monteiro, a maior parte dos presentes ao Encontro eram crianças e adolescentes. Em comum, eles tinham o desejo de seguir a profissão de sanfoneiros. Um deles, Raí Bezerra, 9, oriundo de Parelhas (RN), já dispunha até de CD gravado. Participante da primeira etapa, em Araruna, ele fez questão de viajar para Monteiro para estar no evento mais uma vez. Agora em junho, o sanfoneiro disse que já tem inúmeras apresentações marcadas e vai precisar conciliar seus estudos – ele faz o 4º ano, numa escola particular de Parelhas – com as viagens. “Já fechei 10 datas no São João. Procuro estudar, mas quero mesmo é continuar o que já estou fazendo”, disse.

Um dos alunos do Curso de Sanfona do Núcleo de Cultura Zabé da Loca da UEPB, José Arthur Gaspar Ribeiro, 10, impressionou por sua habilidade com o instrumento. Natural de Garanhuns (PE), ele contou que toca sanfona há dois anos, inspirado pelo tio. “O Curso é uma das coisas que mais gosto em Monteiro. Nele fiz amigos e aprendi muito. Hoje toco pé de serra, estilizado, sertanejo, o que me pedirem”, enfatizou.

A sanfoneira Jeisiane Almeida, 17, também não tem dúvidas: o futuro para ela é a música. Proveniente de Sertânia (PE), ela também assiste às preleções do Curso de Sanfona. No ano passado, Jeisiane venceu o 23º Festival Regional da Sanfona (FERSAN), promovido em Afogados da Ingazeira (PE) e já tem importantes participações em rádios e na televisão. Entre os artistas que a inspiram ela citou Lucy Alves, Flávio José e Dominguinhos.

O 2º Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos da Paraíba segue na próxima sexta-feira (18), quando se dará a terceira etapa em Guarabira. Na programação ainda figuram Patos (22 de maio), Catolé do Rocha (25 de maio), Lagoa Seca (30 de maio), João Pessoa (6 de junho), e Campina Grande (15 e 19 de junho). Este ano, o evento homenageia o músico Zé Calixto, sendo que em cada cidade também há um homenageado local.

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Texto: Oziella Inocêncio
Fotos: Asley Ravel