Projeto de extensão do Curso de Jornalismo da UEPB lança plataforma com foco em reportagens etnográficas

1 de outubro de 2019

Um projeto de extensão do Curso de Jornalismo da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) foi lançado recentemente com a proposta de despertar o exercício do olhar crítico e social dos estudantes de Comunicação, a partir do trabalho com reportagens com foco etnográfico. Trata-se do Alumiá, coordenado pelas professoras Ada Kesea Guedes Bezerra e Suéllen Rodrigues Ramos da Silva, e composto pelos alunos Alessandra Clementino, Carla Miranda, José Ricardo Júnior e Mateus Araújo.

A ideia partiu dos próprios estudantes que, na busca por exercitar a prática do jornalismo em profundidade, perceberam a necessidade de voltar seus olhares a grupos que são “ignorados socialmente”. O nome do projeto – Alumiá – remete à ideia de iluminar, que, segundo os idealizadores, também pode ser entendido através de seu sentido figurado: “dar ou adquirir conhecimento”.

Cada uma das reportagens que integram a plataforma é uma porta aberta para a troca de experiências de vida entre personagem e repórteres. Conforma os integrantes do projeto, é um formato para pensar e fazer o jornalismo que acaba se distanciando da rotina desenfreada das redações e do sensacionalismo midiático. Neste primeiro ano do projeto, a equipe se voltou para a realidade de dois grupos em situação de risco da cidade de Campina Grande: profissionais do sexo e pessoas em situação de rua.

A plataforma do projeto pode ser acessada no endereço https://alumia.home.blog. A primeira série de reportagens abordou a temática das profissionais do sexo em Campina Grande. No mês de outubro as matérias jornalísticas vão girar em torno das pessoas em situação de rua. Para Ada Guedes, uma das coordenadoras do projeto, “trata-se da oportunidade de produção de um jornalismo humanizado, diferente do que dita as rotinas produtivas do factual. Nesta proposta, o jornalismo de proximidade e a prática etnográfica, que permite maior observação sobre a realidade do outro, proporcionam uma escrita sensível, uma narrativa viva e é isso que vemos na experiência vivida por estes alunos e em seus textos”.

Mateus Araújo está no último período da graduação em Jornalismo e fala da importância desse projeto para sua trajetória acadêmica. “A ideia surgiu a partir da necessidade, enquanto comunicadores, de nos aproximarmos dessas histórias de vida que, muitas vezes, são ignoradas pela mídia. Vimos a necessidade de nos colocarmos no lugar do outro e ter consciência que observar e ouvir às vezes vale bem mais do que falar. O Alumiá nos proporciona sentir na pele os desafios da reportagem etnográfica e o amadurecimento não só do nosso lado profissional, mas, principalmente, o nosso lado humano”, frisou.

Em novembro, o projeto vai realizar um seminário na Instituição com o intuito de mostrar os resultados do trabalho desenvolvido ao longo dos últimos meses, além de discutir sobre jornalismo etnográfico, com a presença de alguns representantes de órgãos que lidam com os grupos sociais que são estudados pelo projeto.

Colaboração de texto: Mateus Araújo (Aluno de Jornalismo da UEPB)