Projeto da UEPB garante produção de uvas com alto padrão de qualidade em meio ao clima seco do Sertão paraibano

23 de maio de 2017

Este slideshow necessita de JavaScript.

A cidade de Catolé do Rocha, localizada no Sertão da Paraíba, caracterizada pelo clima semiárido e com altas temperaturas durante todo o ano, vem se transformando a partir do desenvolvimento de um projeto de pesquisa da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) que alterou parte da geografia local com a plantação de uva. Em uma área de 2.500 metros quadrados, no meio da seca, foi formado um “oásis” de videiras com base no trabalho de agricultura orgânica com uso de biofertilizantes para o cultivo da uva Isabel Roxa.

O projeto, vinculado ao curso de Licenciatura em Ciências Agrárias do Câmpus IV da UEPB, existe desde 2011 e, além de proporcionar a cultura da uva no local, ainda é capaz de avaliar a qualidade da produção da fruta e analisar a escala de pH (que indica se o meio é ácido, básico ou neutro). De acordo com o professor José Geraldo, coordenador do projeto, tudo é feito sem uso de agrotóxicos e com o desenvolvimento de uma irrigação localizada, que é a aplicação de água diretamente sobre a zona radicular das culturas, em pequenas quantidades, porém durante um longo período de tempo.

“Ao longo desses anos temos conseguido importantes resultados. Esse projeto vem sendo desenvolvido na Escola Agrotécnica do Cajueiro com a aplicação de biofertilizante a partir do uso de esterco. É um tipo de agricultura que não usa nenhum tipo de produto tóxico. Como a uva ainda é nova, nós enfrentamos à vezes algumas dificuldades, mas temos conseguido realizar duas podas por ano, o que nos proporciona colher a fruta tanto para estudo, como também para consumo interno na escola e distribuição junto a comunidade acadêmica e moradores da região”, diz.

Ao todo, o cultivo conta com 216 plantas na videira com uma produção média de 18 quilos de uva por planta. As uvas cultivadas no Câmpus IV, pela característica própria de sua criação, apresentam um paladar diferenciado em relação a mesma fruta cultivada em outros locais. “A nossa uva é bem mais doce do que as que normalmente existem no mercado. Pela forma como cultivamos, ela tem uma concentração de açúcar maior. Tudo que fazemos aqui é com base ecológica, orgânica, e isso é justamente o diferencial do projeto”, acrescenta o professor Geraldo.

Com o uso da irrigação localizada a partir da construção de poços nos arredores do Câmpus, o próximo passo do projeto será o cultivo de outros tipos de frutas a partir da mesma metodologia. Segundo explica o professor, também estão sendo plantadas mudas de coco, banana, maracujá, mamão e abacaxi. Contudo, um convênio assinado com a Embrapa de Fortaleza (CE) possibilitará o uso de uma área reservada para o plantio de mudas de cajueiro e outro espaço onde será desenvolvida a multiplicação dos clones desta fruta.

“Pretendemos transformar essa região com outras fruteiras. Já avançamos no cultivo do abacaxi e temos a possibilidade de trabalhar a pesquisa junto com a Embrapa de Fortaleza a partir desse convênio. Até bem pouco tempo não existia a irrigação com biofertilizante e nós conseguimos desenvolver algo que tem o poder de aprimorar o desenvolvimento e o cultivo de vários tipos de frutas”, ressalta José Geraldo.

 

 

Texto: Givaldo Cavalcanti
Fotos: Divulgação