Pesquisadores mostram como a Fisioterapia e os recursos tecnológicos podem ajudar em tratamentos clínicos

25 de outubro de 2019

O que existe de moderno na Fisioterapia, os avanços das tecnologias e os tratamentos inovadores em doenças urológicas e de continência urinária foram alguns dos temas abordados por renomados pesquisadores no segundo dia de atividades do 1º Congresso Nacional de Fisioterapia na Saúde da Mulher e do Homem, 2º Congresso Internacional de Fisioterapia em Pelviperineologia (CONFIP), 13º Encontro Nordestino de Fisioterapia na Saúde da Mulher (ENFISM) e 5º Encontro Nordestino de Fisioterapia na Saúde do Homem (ENFISH), que acontecem simultaneamente, em uma realização da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB).

Estas iniciativas reúnem, até este sábado (26), em Campina Grande, mais de 250 pessoas entre professores estudantes e profissionais da área. Uma série de palestras e mesas redondas, realizadas no Auditório do hotel Slaviero Essential, movimentou os trabalhos dos eventos nesta sexta-feira (25). A doutora Patricia Lordelo ministrou a palestra “Ultrassoniografia Transperineal, Avaliação ou Biofeedback”. Ela explicou que nova técnica, utilizando imagens, já vem sendo aplicada pelos fisioterapeutas no diagnóstico de câncer de próstata.

Por ser recém-criada, segundo ela, a ultrassonografia transperineal ainda não tem resposta como tratamento terapêutico, mas os diagnósticos já mostram sua eficácia. Patrícia Lordelo observou que essa técnica pode substituir a ressonância magnética, que tem um custo bem mais elevado. “Com esse novo recurso, a gente consegue ter essa mesma informação com custo bem abaixo”, disse.

Um dos problemas que afeta entre 15% e 30% da população brasileira diz respeito à incontinência urinária. Esse tema foi tratado pela fisioterapeuta Leila Barroso, na palestra “Tratamento Fisioterapêutico da bexiga heperativa”. Em sua explanação, a pesquisadora abordou as evidências científicas atuais no tratamento do problema com base em estudos publicados recentemente. Basicamente, o tratamento consiste em exercício para a musculatura do assoalho pélvico, que pode ser ou não associado a outros recursos, como o uso de eletroestimulação e o treinamento comportamental.

No tratamento, conforme explicou Leila, os profissionais utilizam recursos de orientações, a exemplo do treinamento vesical, que consiste na programação das micções em horários adequados, além de uma alimentação adequada. Sobre a eficácia desse tratamento, ela disse que as evidências ainda não confirmam o sucesso e deixam os resultados inconclusivos, devido os estudos ainda estarem em fase de realização, mas as perspectivas no desenvolvimento do estudo são positivas.

O médico fisioterapeuta Lucas Ithamar procurou mostrar como a quebra de paradigmas interfere na prática em Urologia. Em tom de provocação, ele disse que os fisioterapeutas e futuros profissionais precisam estar preparados para mudar as condutas e quebrar paradigmas quando determinados procedimentos entram em conflito com as evidências científicas e não favorecem o bem maior dos pacientes. Como exemplo, ele citou a nova postura que o médico deve adotar ao fazer uma avaliação clínica, levando em consideração aspectos clínicos e as queixas dos pacientes, entre outras informações.

A nova conduta visa evitar intervenções desnecessárias de recursos da medicação sem, com isso, comprometer a eficácia do tratamento. Ou seja, a ideia é melhorar a assistência médica. “A avaliação precisa ser focada, individualizada, pensando que alguns aspectos podem ser suprimidos, conforme o que o paciente relata”, observou.

Ainda houve a palestra “Educação da dor através da neurociência terapêutica: tratamento da dor pélvica”, ministrada pela doutora Beth Shelly e a mesa redonda “Intervenção equipe multidisciplinar no aleitamento” coordenada pelas médicas Raiana Mariz, Gabriela Brasileiro e Clara Rodrigues, além da palestra “Conceito Hipopressivo no exercício masculino”, ministrada pelo médico Jorge Vieira.

A programação seguiu a tarde com uma série de abordagens mostrando como a Fisioterapia pode ajudar nos tratamentos de diversos problemas que afetam homens e mulheres. Entre os trabalhos, a mesa redonda “Atenção Fisioterapêutica em Oncologia Feminina”, com a doutora Juliana Lenzi e o doutor Diego Dantas, abordou o uso de tecnologias e a importância do exercício físico na prevenção e no tratamento do câncer.

Juliana Lenzi mostrou que o número de pacientes com câncer vem aumentando, mas, no mesmo ritmo, as altas tecnologias têm garantido sobrevida aos pacientes. Ela ressaltou que as complicações interferem diretamente na qualidade de vida desses pacientes e que “a Fisioterapia busca proporcionar uma sobrevida com qualidade”.

Outros temas abordados neste segundo dia de Congresso foram “O fisioterapeuta como agente promotor do aleitamento materno”, “Abordagens fisioterapêuticas nas algias proctológicas”, “Sexualidade feminina: atuação de equipe multiprofissional”, “Avaliação do assoalho pélvico por termografia”, “Benefícios da fisioterapia aquática no período gestacional: evidências científicas” e “Fisioterapia na gestação de alto risco”. As atividades do Congresso prosseguem neste sábado (26), último dia do evento.

Texto: Severino Lopes
Imagens: TV UEPB e Givaldo Cavalcanti