Palestra sobre longevidade no Século XXI abre 6º Congresso Internacional de Envelhecimento Humano

26 de junho de 2019

O prolongamento da vida é uma aspiração de qualquer sociedade. Antes conhecido como um país jovem, o Brasil tem assistido o envelhecimento de sua população, o que tem levantado muitas questões sobre as consequências, demandas, inovações e desafios para essa nova realidade. Para ampliar esse debate, teve início, na manhã desta quarta-feira (26), o 6º Congresso Internacional de Envelhecimento Humano (CIEH), organizado pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), que teve como palestra de abertura uma abordagem sobre as questões que envolvem a longevidade na vida das pessoas.

Com atividades realizadas no Centro de Convenções Raymundo Asfora, em Campina Grande, o evento que vai até a próxima sexta-feira (28), reúne cerca de quatro mil participantes e conta com mais de 1.500 trabalhos científicos inscritos, empenhados em discutir assuntos em torno do tema central desta edição: “Envelhecimento Humano no Século XXI: atuações efetivas na promoção da saúde e políticas sociais”. A palestra de abertura foi ministrada pela professora e psicóloga Maria Célia de Abreu, vinculada ao Instituto para o Desenvolvimento Educacional, Artístico e Científico (IDEAC).

Durante sua abordagem, Maria Célia argumentou sobre a importância de se debater sobre a longevidade no Século XXI, tema que, segundo ela, precisa fazer parte do cotidiano das pessoas, já que em todo o mundo estão sendo abordadas questões que envolvem os motivos de as pessoas estarem vivendo mais. Segundo a professora, ainda não existe um parâmetro que explique todos os fatores sobre longevidade, entretanto é preciso estar alerta sobre essa mudança de perfil da população.

“Estou muito feliz em participar desse congresso. Aqui vamos discutir sobre uma visão geral da importância de se falar sobre a longevidade no Século XXI, que é um fenômeno no mundo e temos que nos adaptar muito rapidamente. Por isso é preciso estar alerta aos detalhes e pensar em grandes medidas para oferecer condições de vida para as pessoas mais idosas. Como todas essas questões são novas, ainda são criadas falsas crenças e preconceitos que precisam ser quebrados sobre o que significa ser uma pessoa idosa”, destacou a especialista.

O reitor da UEPB, professor Rangel Junior, participou da abertura do 6º CIEH e destacou os avanços que as pesquisas científicas têm alcançado em diversas áreas. Seja naquelas que acontecem na Universidade ou nas de atuação direta do Estado, o reitor acredita que é fundamental desenvolver políticas cotidianas que possibilitem condições de uma vida melhor para uma grande parte da população brasileira, como é a dos idosos.

“O país precisa discutir a questão do envelhecimento e o tratamento dado aos idosos no Brasil. É preciso traçar políticas públicas sobre a velhice, assegurar garantias que a Constituição prevê e formar práticas cotidianas que possam criar condições para aqueles que são mais fragilizados. É preciso pensar que, no envelhecimento, as pessoas precisam de mais apoio, seja ele afetivo ou material, além de garantir condições para que as pessoas envelheçam com qualidade. Esse é o trabalho que a Universidade pode fazer, com a ajuda da ciência, mas o Estado brasileiro precisa cuidar como uma política pública”, ressaltou.

Recorde de participantes

O sucesso da 6ª edição do Congresso Internacional de Envelhecimento Humano refletia no auditório lotado de participantes, além da quantidade de pessoas que circulavam no Centro de Convenções Raymundo Asfora. A participação de professores, estudantes e pesquisadores não só do Brasil, mas de vários países da América Latina foi comemorada pelo organizador do evento, professor Manoel Freire, que ressaltou a quantidade dos trabalhos inscritos neste ano, além de confirmar a realização do CIEH, agora de forma anual e não mais bianual.

“Este ano conseguimos superar todas as expectativas, não só pelo cadastro de mais de quatro mil participantes, como também os mais de 1.500 trabalhos científicos inscritos. O Congresso de Envelhecimento Humano está sendo uma referência no Brasil na área e isso nos ajudou a atingir não apenas a área da Saúde, mas também da Cultura, Direito, Ciência Social e outras. Temos nomes de referência de todo mundo este ano. Isso é muito importante. E também está definido que Campina Grande será a sede permanente do evento, que agora passa a ser realizado todos os anos”, disse.

Estreante no CIEH, a estudante do 6º período de Fisioterapia da Unifavip (Caruaru-PE), Sheiliane Barbosa, destacou a força do evento, além de não esconder a expectativa de ampliar seu conhecimento a partir das atividades vivenciadas nesta edição. “Espero poder aprender mais, já que todos que participamos vinhemos em busca de novas aprendizagens. Faço parte de um grupo que apresentará um trabalho científico e poder vivenciar todas essas atividades será muito importante porque a área de envelhecimento humano é muito importante para nós, já que podemos abordar questões relativas a como lidar e tratar as pessoas idosas”, disse.

O 6º Congresso Internacional de Envelhecimento Humano conta, em sua programação, com a realização de sessões temáticas, apresentações de trabalhos científicos, palestras e mesa redonda. Todas as atividades são desenvolvidas no Centro de Convenções Raymundo Asfora e prosseguem até a próxima sexta-feira (28).

Texto e fotos: Givaldo Cavalcanti