MAPP receberá lançamento do livro “Galos de Campina”, de autoria de Jessier Quirino e Bráulio Tavares

7 de dezembro de 2018

No próximo dia 14 de dezembro, às 19h, o martelo agalopado tem destino certo no Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em Campina Grande. Trata-se do lançamento do livro “Galos de Campina”, de autoria de Jessier Quirino e Bráulio Tavares. Com entrada franca, o evento será apresentado por Kydelmir Dantas.

Saído pela Editora Bagaço, o livro conta com 27 estrofes, é ilustrado pela artista gráfica paraibana Minna Miná, e remonta a diversas passagens envolvendo a carreira dos dois escritores nascidos na Rainha da Borborema. Primeiro veio o poema “Trupizupe, o raio da silibrina”, publicado em 1982, no livro de Bráulio intitulado “Sai do meio que lá vem o filósofo”. Jessier Quirino, 14 anos depois, faz um desafio a Trupizupe, denominado “Meu nome é Rasga-Rabo, Bagunçador de Bagunça”. O poema figurou no livro de estreia de Jessier, “Paisagem de Interior”, em 1996. Ainda em 2001, Quirino lançou o CD duplo “Paisagem de Interior I e II”, constando no repertório o seu Rasga-Rabo, sendo que, desta feita, gravado de voz própria e ao violão, numa levada de cantoria.

A sugestão de unir os dois textos surgiu apenas em 2008, por iniciativa de um amigo comum, o paraibano de Nova Floresta, Kydelmir Dantas, que se assina Antôi Dedé, em títulos cordelescos. De Mossoró (RN), onde residia, Kydelmir coordenou a montagem da obra, que necessitou de duas novas estrofes de cada poeta para se adequar à encadernação. E assim, em formato de cordel, nasceu o folheto “A Peleja do Raio da Silibrina com o Relâmpo da Palavra”, tendo edição e apresentação do próprio Kydelmir, publicado pelo selo Queima-bucha. Os exemplares foram destinados aos autores e distribuídos a colecionadores e apologistas das bases de cada um. A Bagaço, com o objetivo de sedimentar o encontro, traz este outro exemplar, na verdade um fac-similar daquele anterior, para que seja preservada a inventividade de Tavares e Quirino: dois dos mais célebres galos de Campina e da Paraíba.

O detalhe é que em todo esse interregno que implica Trupizupe e o embate com o autoproclamado Bagunçador de Bagunça, os admiradores da obra de Bráulio e Jessier, embora soubessem da existência dos dois poemas, nunca assistiram a nenhum encontro dos poetas. Contudo, estes, como amigos e conterrâneos, tiveram pelo menos uma oportunidade de experimentar e declamarem juntos suas respectivas estrofes, num esquema lá e cá, em uma reunião caseira de Bráulio, em João Pessoa, isso na década de 90. Bem, o ano é 2018 e, agora, os interessados em acompanhar ao vivo essa raivosa e empolgante peleja, onde vencedora é a plateia, presenteada com o mais puro sabor do Nordeste e da malícia de seus cabras, poderão fazê-lo no MAPP.

Trupizupe X Rasga-Rabo: A expectativa é de nocaute

Reza a lenda que Trupizupe – O Raio da Silibrina foi o maior cantador que já se viu por estas paragens e também por outras, bastante longínquas. Ele venceu absolutamente T-O-D-O-S os desafios dos quais participou. Para se ter uma ideia do tamanho da ferocidade de Trupizupe, conta-se que, perto dele, Lampião é um completo borra-botas. Fato é que o próprio Zé Ramalho (a letra é de Bráulio), sobre Trupizupe interpretou: “O meu nome é Trupizupe/Sou o Galo de Campina/Me chamam Trupizupe/O Raio da Silibrina…/Eu não digo a ninguém/Que sou valente/Vivo longe/Dos brutos desordeiros/Sei tratar muito bem/Meus companheiros/Mas se um dia/Eu ficar de sangue quente/Chegarei no inferno/De repente/Faço o diabo chefão/Virar mulher/Mando logo prender/A Lucifer/Solto alma de deuses/E pagãos/Se o cão coxo cair/Nas minhas mãos/Só se salta com vida/Se eu quiser.

Já Rasga-Rabo é afamado por ser desordeiro, deselegante, cínico, provocador e ordinário. Não à toa, assim ele se dirige ao seu máximo rival: “Trupizupe oia tu num me assusta com a fama da tua valentia/porque esta macheza é freguesia/e até nem me parece tão robusta/uma boa palmada não me custa/pois no fundo eu te acho delicado/se tu és um valente escolado/eu quebrei no cacete a tua escola/o teu mestre saiu de padiola/e teu supervisor invertebrado (…)/Eu sou topada de unha encravada/Sou gilete no mei do tobogã/Sou o flagra da foda no divã/Sou feiura dum talho de inchada/Sou um choque no furo da tomada/Sou ferrugem na agulha de injeção/Sou judeu se vingando de alemão/Cata-vento voando num comício/Sou a falta de droga num hospício/Queimadura de larva de vulcão.

Serviço
O quê: Lançamento do livro “Galos de Campina”, de Jessier Quirino e Bráulio Tavares
Quando: Sexta-feira (14/12/18)
Hora: 19h
Onde: Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), às margens do Açude Velho, em Campina Grande.
Entrada: Gratuita
Outras informações: (83) 3310-9738

Texto: Oziella Inocêncio