Museu de Arte Popular da Paraíba é inaugurado em solenidade marcada pela emoção

14 de dezembro de 2012

Placa MuseuUma noite que ficará marcada na história da Paraíba. Cercada de poesia, arrojo, nostalgia e amor pela cultura nordestina, foi descerrada na noite desta quinta-feira, (13), a placa de inauguração da mais nova obra da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP). Recanto que abrigará acervos que contarão mais sobre o povo paraibano, a edificação contemporânea é a última assinatura finalizada em vida do arquiteto Oscar Niemeyer, que soube representar, através das curvas do prédio, o sentimento que enche de orgulho quem visita o local.

Construído sobre o espelho d’água do Açude Velho, principal cartão postal de Campina Grande, o ‘Museu dos Três Pandeiros’, como ficou conhecido, materializa as centenas de toneladas de concreto, ferro e suor de trabalhadores paraibanos, em um templo que perpetua o conhecimento cultural de quem carrega em si a representatividade de um povo simples, mas que valoriza suas raízes. Foi reverenciando muitos dos colaboradores para a concretização desse sonho, que a professora Marlene Alves, reitora da UEPB, agradeceu por mais um passo firme que a Universidade deu ao lado da comunidade.

371“Nós só temos a agradecer. Agradecer a Oscar Niemeyer por ter abraçado o nosso projeto, ao então governador Cássio Cunha Lima por ter possibilitado a realização do que antes foi chamado de um sonho, e a todos aqueles que colaboraram para que esta noite ficasse marcada na história de cada um de nós. Tenho certeza que o Museu de Arte Popular da Paraíba não é apenas a realização de um projeto liderado pela UEPB, mas sim de um conjunto de pessoas bem maior, que a partir de hoje está oferecendo uma oportunidade para que as pessoas possam estar mais próximas das artes”, disse Marlene.

Para o arquiteto Luiz Marçal, membro da equipe de Niemeyer, que acompanhou toda a edificação do projeto, uma das muitas felicidades do idealizador da construção foi ter a certeza que o MAPP estava sendo erguido por paraibanos que acreditam que este espaço irá oferecer algo a mais para toda Paraíba. “A felicidade de Oscar Niemeyer era visível quando eu indicava os avanços da obra e a certeza de que esta obra paraibana estava sendo feita pelo povo da Paraíba”, destacou Marçal.

299Presente na solenidade de inauguração do Museu de Arte Popular da Paraíba, a curadora dos museus da Paraíba, Sílvia Almeida, ressaltou a importância da obra, e dirigiu à professora Marlene Alves palavras de agradecimento pela incessante dedicação de quem acredita que e possível oferecer uma educação melhor quando se dispõe a realizar seus compromissos com amor. “A você, Marlene, meu muito obrigada. E parabéns pelo exemplo que você tem sido para todos nós, por provar que é possível conquistar objetivos quando se acredita que podemos oferecer mais aos outros”, ressaltou.

A solenidade de inauguração foi marcada por momentos de pura emoção. Um texto da escritora Lourdes Ramalho, intitulado “Ode à professora Marlene Alves”, em homenagem à reitora, foi recitado pela professora Joseilda Diniz. Já o poeta Manoel Monteiro recitou versos do texto “Que toquem as trombetas, nasce um museu”, de sua autoria, escrito especialmente em homenagem ao MAPP.

Em um dos trechos, ele disse: “Este espaço não é só dos artistas da Rainha, pois a UEPB pensou na Paraíba todinha. Quem quiser pode criar, que su´arte vai ficar no MAPP bem guardadinha”. À professora Marlene, ele dirigiu as seguintes palavras: “Reitora Marlene Alves, se em todo o seu reitorado nada mais houvesse feito, seu nome já está gravado nas curvas deste museu que Niemeyer concebeu, neste dia, inaugurado”.

Mais sobre o MAPP

139O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP) terá acervo permanente, além de servir como espaço para exposições temporárias de artistas do Estado. O local contará com um espaço multimídia, sistema de monitoramento de câmeras, som, combate a incêndio com detector de fumaça, parte de acessibilidade e ainda irá oferecer um local para pesquisas realizadas por estudantes de escolas públicas.

Seguindo uma tendência mundial de valorização da cultura, aproximando às artes de quem faz a arte, o MAPP se constitui de forma completa, com acervo, paisagismo, mobiliário e ainda projeta Campina Grande para o grupo das grandes cidades ligadas aos conceitos artísticos.

Ocupando 972 metros quadrados de área construída, o museu vai acolher trabalhos dos mais talentosos artistas genuinamente paraibanos, como Sivuca, Jackson do Pandeiro, Marinês, Elba Ramalho, entre outros. A proposta inicial é de que cada uma das três estruturas circulares ao qual a obra se engloba remeta a um determinado gênero artístico.