Guarabira recebe quarta etapa do 3º Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos da UEPB

12 de novembro de 2019

Na última quarta-feira (6), foi a vez do Câmpus III da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) receber uma etapa da 3ª edição do Encontro de Sanfoneiros e Tocadores de Fole de Oito Baixos. Promovido pela Instituição, através da Pró-Reitoria de Cultura (Procult), em parceria local com a Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal de Guarabira, o evento foi prestigiado por um grande público. Nos períodos da manhã e da tarde, a iniciativa teve como sede o Auditório do Centro de Humanidades (CH), onde ocorreram palestras, oficinas e apresentações com o Grupo Acauã da Serra, oriundo da UEPB. No turno da noite, houve exibições artísticas na Praça João Pessoa.

O pró-reitor de Cultura, José Cristóvão de Andrade, explicou ser uma honra para ele estar em Guarabira, terra fértil em talentos da cultura popular. “Em um momento delicado como o que o Brasil vive agora, viemos unir forças aqui para defender os saberes tradicionais e costumes do Nordeste, a nossa música e os nossos instrumentistas”, apontou. Concordando com Andrade, a diretora do Campus, Ivonildes Fonseca, destacou o quão adverso se mostra o cenário nacional. “Nesse contexto, precisamos ter em mente que a arte salva. Ela é um elemento fundamental para agregar pensamentos semelhantes, para manter-nos centrados em ações positivas”, asseverou.

Para o coordenador local da ação, Percinaldo Toscano, as expectativas para o Encontro eram as melhores. “É o terceiro ano que participamos e sempre com muita alegria por trazer essas práticas para a nossa região. Os artistas locais agradecem a homenagem”, disse. O secretário de Cultura e Turismo do município, Tarcísio Pereira, relatou como uma satisfação a parceria realizada. “É um evento que dignifica a cidade. Ficamos felizes por colaborar e nosso desejo é que toda a comunidade aproveite a programação”, enfatizou.

Como mestre de cerimônias, a ocasião dispôs do cantor Massilon Gonzaga. As declamações foram efetivadas por Neto Ferreira, Lino Sapo, J. Lima e Vicente Barbosa. Já as oficinas e palestras se deram através de Luizinho Calixto, considerado um especialista nos oito baixos, e Xico Nóbrega, versando sobre a vida e a obra de Jackson do Pandeiro.

Estudantes do Centros Educacionais Osmar de Aquino e Dom Hélder Câmara, escolas públicas de Guarabira, foram prestigiar as atividades. Dentre os que também integraram esta etapa do Encontro, figuravam os professores do Centro Artístico Cultural da UEPB, João Batista, Caio César, Bruno Giovanni, Erivan Ferreira e Roberto de Almeida; o músico Joao Calixto; a percussionista Sabrina Gomes; a curadora da área de Cordel do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), Joseilda Diniz; o secretário do Centro de Humanidades (CH), Baltazar Filho, e a diretora adjunta do Câmpus, Cléoma Toscano, entre outros.

Profissão: sanfoneiro

Um dos inscritos era Ivan Martins, há mais de 45 anos sanfoneiro de profissão. Dono de uma carreira admirável, ele informou que em breve lançará seu primeiro CD. O trabalho terá sete faixas, todas autorais. Ivan já tocou com Benito de Paula, Altemar Dutra, Nelson Gonçalves, Waldick Soriano e foi componente da Banda Anjos e Demônios. Ainda em 2017 fez uma turnê pela França.

Outra sanfoneira famosa que esteve no Encontro foi Olga Soares, de 66 anos. Natural de Alagoa Grande, ela fez um depoimento tocante sobre sua trajetória. “Desde criança, tenho o acordeom como meu companheiro. Meu pai era músico. Foi um homem visionário. Ele acreditou no meu potencial. Um dia ele perguntou aos meus sete irmãos e a mim, quem gostaria de estudar música e só eu mostrei interesse. Eu tinha apenas 9 anos e disse que queria uma sanfona”, narrou. Segundo Olga, por isso, o pai virou motivo de chacota entre os amigos, pois naquela época era incomum uma mulher ser do meio artístico. “O preconceito sempre existiu. Qualquer musicista terminava sendo considerada fácil, uma pessoa desavergonhada. Mas meu pai não se importou. Ele resistiu a todas as críticas e me incentivou o tempo todo”, concluiu.

Texto: Oziella Inocêncio
Fotos: Hugo Tabosa e Uirá Agra