Encontro Nacional dos Estudantes de Arquivologia é encerrado após mais de sessenta horas de atividades

10 de julho de 2017

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Mais de sessenta horas de atividades acadêmicas, culturais, esportivas, discussões e reflexões relacionadas à formação arquivista. Esse é o resumo da 21ª edição do Encontro Nacional dos Estudantes de Arquivologia, que foi realizado até esta sexta-feira (7) no Câmpus V da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em João Pessoa, com a participação de discentes, docentes, pesquisadores e profissionais de Arquivologia e áreas afins, de todo o país.

Durante o evento foram realizadas palestras, mesas redondas, rodas de diálogo, oficinas, visitas técnicas, apresentações de trabalhos, que discutiram questões relacionadas ao cenário arquivístico da atualidade, tais como: a gestão de documentos digitais, gestão de carreira, empreendedorismo, direitos trabalhistas, a conjuntura nacional e seu reflexo na arquivologia, dentre outros.

A palestra de encerramento do ENEARQ “Direitos Trabalhistas do Arquivista”, foi ministrada pelo advogado Pedro Pereira de Sousa Neto, na noite da sexta-feira (7), quando foi apresentado um apanhado de leis trabalhistas e foram abordados temas jurídicos inerentes à vivência arquivística, como a questão da insalubridade, normas regulamentadoras para o uso de Equipamentos de Proteção Individual, ausência de piso salarial, entre outros. Após a palestra foi realizada a plenária final e assembleia da Executiva Nacional dos Estudantes de Arquivologia, com a escolha da Universidade Federal do Pará para sediar a próxima edição do evento.

Para a comissão organizadora do encontro, a avaliação do evento foi positiva, com destaque para o alto índice de adesão dos participantes em todas as atividades. “Ainda que, de início, muitos não apostassem e não dessem credibilidade ao nosso evento, por ser organizado por estudantes e para estudantes, nós encerramos com a sensação de dever cumprido. Todas as atividades estavam sempre cheias, uma boa adesão dos encontristas, e um feedback bastante positivo com o nosso encontro. Então, estamos muito felizes com o resultado final do nosso trabalho”, avaliou a presidente da comissão organizadora Yara Andrade.

 

Associativismo e Empreendedorismo

 

Com o tema “Associativismo e empreendedorismo: aspectos na formação do arquivista”, o 21° ENEARQ permitiu debates com a participação de pesquisadores renomados da Arquivologia brasileira, a exemplo da conferencista de abertura, Katia Isabelli Barros e Melo, que discutiu o tema “Arquivista e Associativismo: algumas reflexões”.

Na oportunidade, a docente, que é doutora em Arquivos e Bibliotecas pela Universidade Carlos III, de Madrid, trouxe para o evento uma reflexão que foi suscitada em sua tese de doutorado, publicada em livro, discutindo a tríade composta pelos cursos de formação em Arquivologia, os coletivos profissionais e o mercado laboral, a relação destes com o arquivista. A docente ressaltou a necessidade de serem possibilitadas discussões com essa temática a fim de despertar os estudantes e profissionais para a importância das iniciativas que trazem visibilidade e fortalecimento para categoria, tais como as associações.

“Eu ministro uma disciplina sobre a visibilidade do profissional, que é com base na minha tese e, em meus estudos, eu percebi que nos grandes congressos e eventos da área os estudos e as reflexões estão muito voltadas ao arquivo e à práxis profissional, deixando de lado o profissional arquivista, quem é, o que ele faz, a importância do trabalho dele para a sociedade. Então, momentos como esse, quando se traz uma discussão que está voltada ao arquivista, às possibilidades profissionais e às perspectivas de fortalecimento a partir do associativismo, é algo de grande valia”, explica a conferencista.

Durante o evento, também foi realizada a palestra “Arquivologia e empreendedorismo” proferida pelo professor e arquivista empreendedor Charlley Luz, que trouxe aos participantes do evento um pouco da sua trajetória profissional e apontou as possibilidades de atuação para o arquivista na atualidade. “Eu acredito que o arquivista é um profissional cada vez mais necessário para a área de gestão porque as empresas cada vez mais se baseiam em conhecimento para entregar seus produtos e o arquivista tem o papel de elaborar formas desse conhecimento ser aproveitado e que as coisas aconteçam de forma mais lógica e com menor custo”, esclarece o palestrante.

Charlley Luz também expôs a preocupação com o Projeto de Lei 7920, aprovado recentemente no Senado. “Eu vim aqui falar sobre empreendedorismo e associativismo, mas, diante dessa possibilidade de aprovação dessa lei eu vou acabar tocando nesse assunto, porque precisamos nos mobilizar a informar esses estudantes sobre o risco que corremos. A PL 7920 traz muito risco para a nossa área uma vez que ela autoriza a eliminação de documentos depois de digitalizados, provoca insegurança jurídica, no momento em que permite o descarte dos documentos originais, prevê a utilização de uma tecnologia defasada, enfim, é um retrocesso para a nossa área”, avaliou o docente.

Compuseram a programação do evento, ainda, os minicursos “Gestão de documentos digitais”, ministrado pelo professor Josemar Henrique de Melo; “Aprender a empreender”, tendo como ministrante a professora Jacqueline Echeverría Barrancos”; “Preservação e restauração de documentos”, ministrado pelas professoras Daniele Alves e Eline Isabel, e “Gestão de carreira: uma abordagem instrumental”, com a professora Ana Lúcia Carvalho.

As temáticas escolhidas para esses minicursos são voltadas ao aprimoramento de conhecimentos técnicos e direcionamento da carreira profissional, como o minicurso ministrado pela professora Ana Lúcia Carvalho, no qual os estudantes puderam realizar uma análise de carreira, traçando a missão, visão, valores, objetivos e um planejamento financeiro. “O brasileiro em geral não tem uma cultura de planejamento. O grande problema da administração pública em nosso país está relacionado a isso, à falta de planejamento, má gestão financeira. E disseminar essa prática é importante, sobretudo para estudantes que estão prestes a iniciar carreiras profissionais”, explicou a docente.

Também foram realizadas as oficinas “Classificação de documentos arquivísticos”, com o professor Sânderson Dorneles e “A prática da indexação na Arquivologia”, com a professora Claudialyne Araújo”, que abordaram questões técnicas importantes para a prática arquivística. “Buscamos trabalhar de forma resumida todos os elementos que compõem a indexação aplicada a documentos. Então, inicialmente abordamos as teorias que envolvem o processo de indexação, principalmente as teorias de Lancaster, que define todas as características e atributos que compõem a indexação mas, adequando à perspectiva arquivística. E tivemos o momento de prática, no Laboratório Integrado, para tentar apresentar uma metodologia que abordasse de forma dinâmica essa temática, o que foi bem recebido pelos estudantes”, avaliou.

O 21° ENEARQ foi realizado com o apoio do Curso de Arquivologia da UEPB, Centro Acadêmico Briggida Lourenço, direção do Centro de Ciências Biológicas Sociais Aplicadas (CCBSA) e Associação dos Arquivistas da Paraíba (AAPB). Participaram como apoiadores do evento a UEPB, EDUEPB, AAPB, Editora UFPB, Fundação Casa de José Américo, Arquivo Afonso Pereira, Cãmara Municipal de João Pessoa, Dore, F&A Eventos, Isis, Pedro Pereira de Sousa Neto Advogados, Mercadinho Pague Menos, São Braz, Pixelvivo Soluções Web, 9Bravos, Passe Vip e Governo do Estado da Paraíba.

 

Texto e fotos: Juliana Marques