Educadores e profissionais de Saúde alertam para crescimento do consumo de drogas em Campina Grande

10 de dezembro de 2019

O consumo de drogas na área central de Campina Grande tem crescido. O alerta foi feito pela enfermeira Isabel Cristina de Arruda, coordenadora do projeto Consultório na Rua, durante a abertura do 5º Fórum de Controle da Dependência Química da Cidade de Campina Grande. O evento, realizado pelo Núcleo de Educação e Atenção em Saúde (NEAS) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), acontece até a próxima quinta-feira (12), no Auditório da Biblioteca Central, no Câmpus de Bodocongó.

Em sua 5ª edição, o Fórum, que é integrado ao Programa Educação e Prevenção ao Uso de Álcool, Tabaco e outras Drogas (PEPAD), se transformou em um espaço de discussão sobre os desafios provocados pelo uso, abuso e dependência do tabaco, álcool e outras drogas. Ao abrir as discussões, Isabel disse que a academia tem um papel importante na disseminação de informações sobre a prevenção do uso de drogas psicotrópicas, podendo inclusive provocar uma discussão sobre uma necessária intervenção nos espaços de uso dessas substâncias na cidade, por meio de projetos acadêmicos e trabalhos científicos que promovam a “escuta” junto aos usuários para conscientizá-los dos efeitos destrutivos das drogas.

A enfermeira observou que, atualmente, cerca de 30 pessoas fazem uso diário de drogas na Praça Clementino Procópio, por exemplo, e relatou que a presença de traficantes no local amedronta os organismos que atuam no combate às drogas. Ao se referir ao tema do evento, “Iniciação ao consumo de substâncias psicoativas”, Isabel Cristina relatou que muitos jovens, adolescentes e até crianças iniciam o contato com as chamadas drogas lícitas dentro de casa e depois se tornam viciadas em outras drogas. Ela citou vários exemplos relatados por menores da cidade, através do programa Saúde na Escola. “Quando a gente fala em iniciação, é o menino de quatro anos que vai pegar o fósforo para acender o cigarro do pai na sala ou já vem com o cigarro aceso. Outro é o menino de seis anos que toda vez que vai pegar a cerveja para levar para o pai, toma um gole”, alertou.

O “Consultório na Rua” é um programa financiado pelo Ministério da Saúde, vinculado a Prefeitura Municipal de Campina Grande (PMCG), que realiza um trabalho itinerante, atendendo in loco os moradores de rua com uma equipe multidisciplinar e fazendo o encaminhamento dos usuários de drogas para os serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). É missão do programa atuar no trabalho preventivo de doenças e trabalhar no fortalecimento do vínculo dos usuários com a família, que muitos já perderam.

Convidado para ministrar palestra no Fórum, Agnaldo Batista, presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas de Prevenção às Drogas, enfocou a importância da prevenção no seio familiar. Ele observou que muitas crianças estão enveredando por caminhos diferentes e precisam de oportunidades para serem reinseridas na sociedade, seja através dos programas sociais ou por meio de políticas públicas. “Estamos trabalhando em cima de três pilares: a família, o social e a espiritualidade, independente da religião. A parte primordial do nosso trabalho é mostrar caminhos”, observou. Para ele, é preciso buscar estratégias para mudar a realidade e impedir o avanço das drogas, principalmente entre as crianças, jovens e adolescentes. Agnaldo enfatizou que o Fórum da UEPB é uma oportunidade para aprofundar a temática e buscar soluções para evitar que crianças tenham suas vidas ceifadas pelas drogas.

Coordenadora do evento, a professora Clésia Pachú reforçou que o uso indevido de drogas psicoativas entre crianças e adolescentes se apresenta como grave problema de saúde pública, gerando sérios impactos cognitivos, psíquicos, físicos e sociais neste perfil populacional. Já no início das discussões, ela alertou para as formas de mensagens que fazem apologia ou incentivam o uso de drogas e salientou que a preocupação do Fórum é alertar sobre as mensagens que os jovens estão absorvendo. “É uma preocupação do NEAS e a academia não pode se furtar a intervir nesses problemas que afligem toda a sociedade”, frisou.

Aberto ao público, o Fórum tem como objetivo oferecer uma contribuição para a reflexão biopsicossocial da temática, apresentando propostas para a melhoria da qualidade de vida de todos que compõem a sociedade. Cerca de 70 pessoas, entre estudantes, educadores sociais e profissionais de saúde, se inscreveram para participar do evento. As discussões estão sendo feitas em forma de palestras e mesas redondas abordando temas que envolvem a dependência química, além de exibição de vídeos e depoimentos.

Texto: Severino Lopes
Fotos: Givaldo Cavalcanti