Câmpus de Lagoa Seca sedia atividades da Agrotec 2018 e da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia

17 de outubro de 2018

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Centenas de alunos dos cursos de Agroecologia, Agropecuária e da Escola Agrícola Assis Chateaubriand (EAAC) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) estão participando esta semana da Agrotec 2018 – Exposição Tecnológica, que acontece até esta quinta-feira (18), no Centro de Ciências Agrárias Ambientais (CCAA), no Câmpus de Lagoa Seca. Além deles, o evento também tem recebido a visita constante de crianças e jovens estudantes das redes municipal e estadual de ensino, que participam das atividades da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), evento paralelo que ocorre em todo o país.

Em sua terceira edição, a Agrotec busca mostrar tudo que o Câmpus II vem realizando em ensino, pesquisa e extensão, além da exposição agropecuária com todos os setores em funcionamento e a feirinha para os visitantes. Conforme o diretor do CCAA, professor José Felix, para que o evento se concretizasse foram estabelecidas parcerias fundamentais, a exemplo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural da Paraíba (EMATER), Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba (EMEPA), Instituto Nacional do Semiárido (INSA), Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), Prefeitura Municipal de Lagoa Seca, dentre outros.

Durante os três dias de evento, professores da UEPB e instituições parceiras vêm ministrando diversos cursos, como “Forragem e nutrição animal”, “Mecanização agrícola”, “Peixamento de açudes com alevinagem”, “Abate e cortes finos de caprinos” e “Fabricação de derivados de leite”.

“A Agrotec 2018 e a SNCT têm o propósito de estimular o interesse da população no que diz respeito ao Agronegócio e Agroecologia, dando até uma maior visibilidade da UEPB nesta área, sendo aberta à visitação do público em geral. Contamos com uma equipe muito forte para promover oficinas e minicursos voltados à produção rural, das quais estão participando tanto alunos, como ex-alunos, produtores rurais e demais interessados”, lembrou o professor Alde Cleber de Lima Silva, diretor da Escola Agrícola da UEPB.

Mostras científicas e de produtos

Como o tema abordado este ano pela Semana Nacional de Ciência e Tecnologia é “Ciência para a redução das desigualdades”, a professora Élida Barbosa Correia, coordenadora da SNCT no Câmpus II da UEPB, buscou inserir na programação algumas ações de desenvolvimento que mostrassem à população tudo o que é realizado em Ciência e Tecnologia na Universidade.

“Temos o projeto ‘Centro Vocacional Tecnológico de Agricultura Orgânica e Agroecologia – Agrobiodiversidade do Semiárido’, que é uma ação de popularização da Ciência, aberta aos agricultores e alunos do ensino público de Lagoa Seca. Assim, organizamos várias visitações para mostrar os projetos desenvolvidos em nossos laboratórios, com a finalidade de despertar neles a Ciência e, como eles são nossos vizinhos, que pudessem se familiarizar mais com a UEPB, com as hortas, os animais e com muito do que é produzido aqui”, explicou a professora, destacando que em apenas dois dias de evento cerca de 400 alunos, dos 4o e 5o anos da Vila Florestal e do 8o e 9o anos das escolas estaduais de Lagoa Seca, visitaram o espaço.

Ângelo Túlio de Araújo Maia, aluno do 9o período de Agroecologia, participou com os demais colegas com uma banca na feira da Agrotec, comercializando produtos artesanais e agrícolas in natura ou processados, como doces e comidas típicas, tudo feito por alunos da turma. Para ele, “o evento é de suma importância, porque trocamos experiências com quem está fora e dentro da academia, absorvemos conhecimentos empíricos dos agricultores e de outras Instituições de Ensino, além de aprendermos na prática sobre economia, que é uma de nossas disciplinas em sala de aula”.

Oficinas práticas

Uma das oficinas de destaque do evento foi ministrada em conjunto pelos pesquisadores do INSA, Marilene Nascimento Melo, George Rodrigues Lambais e Rodrigo Andrade, que trataram do “Reuso da Água na Agricultura Familiar” e dos “Sistemas de Tratamento de Esgotos”, com o intuito de aperfeiçoar o reúso da “água servida”, como é popularmente chamada a água que normalmente não teria mais serventia após sua primeira utilização

“Trabalhamos com a ideia de que essa água tem um risco e a depender do que se queira fazer com ela, deve ser tratada”, explicou Marilene, que também trabalha em parceria com o Programa de Aplicação de Tecnologia Apropriada às Comunidades (PATAC). Para isso, apresentaram sistemas de tratamento do esgoto, desde o mais simplificado, como a “Bioágua”, que utiliza filtragem com seixos, pedras e carvão para retirar a parte “grossa” da matéria orgânica, até sistemas anaeróbicos um pouco mais complexos, com filtragens, uso do sol e de algumas bactérias para eliminar outras mais nocivas, gerando água de melhor qualidade. “Ambos sistemas permitem ter água de reúso com qualidade, com o objetivo de irrigar sem contaminação e produzir alimentos com um considerável aumento de produção”, disseram os palestrantes.

Andreza Maia de Lima, funcionária do setor de Agroecologia da Secretaria de Agricultura de Campina Grande, ministrou a oficina “Defensivos agrícolas naturais”, abordando receitas de defensivos livres de contaminação que vêm sendo usados tanto em experimentos nas universidades como pelos agricultores no campo. “Trouxemos algumas receitas consagradas e de resultados satisfatórios, como a calda bordalesa, o extrato de alho, o herbicida de repolho e a água de vidro”, explicou a palestrante, afirmando que as caldas evitam uma grande quantidade de pragas e de doenças, sendo esta última a mais simples e utilizada com mais frequência.

Segundo ela, a água de vidro – também conhecida como água de cinzas e cal, diluída em água quente e fria – tem baixa toxidade, não precisa de Equipamentos de Proteção Individual e dá enrijecimento às plantas, maior resistência às pragas, qualidade nas hortaliças e vem sendo bem utilizada na região do brejo. “Cada vez mais pessoas estão se conscientizando de que é necessário aderir a uma alimentação mais saudável e livre de agrotóxicos, colocando em prática a medicina preventiva e melhorias em sua saúde”, explicou Andreza.

No curso “Processamento de derivados do leite”, ministrado por Andreia Batista, do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), os alunos puderam aprender durante três dias como fabricar iogurte, queijos, requeijão, bebidas lácteas e doce de leite. O curso, que costuma atender produtores rurais e pessoas ligadas ao campo, também recebeu alunos que já fazem produções em casa ou nos sítios onde moram e que agora buscam aprimorar a oferta de produtos, a exemplo de José Carlos Ferreira, aluno do Campus de Catolé do Rocha, que já produz queijo de manteiga na fazenda da família e pretende colocar em prática a fabricação do requeijão. Além disso, também intenciona fazer um melhor aproveitamento do soro do leite – que é descartado ou oferecido como alimento aos animais da fazenda – e transmitir o conhecimento adquirido aos colegas produtores rurais da região.

Texto: Giuliana Rodrigues
Fotos: Paizinha Lemos