7º ENID e 5º ENFOPROF discutem formação profissional e expõem experiências em sala de aula

8 de novembro de 2019

Pensar que a experiência nos remete ao conhecimento construído num intenso fluxo das nossas relações, contribui para que aquilo que marca a história das pessoas na Educação possibilite uma ressignificação do mundo. E foi dialogando acerca da importância da experiência docente e as narrativas dos professores, que aconteceram, nesta sexta-feira (8), o 7º Encontro de Iniciação à Docência (ENID) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) e o 5º Encontro de Formação de Professores (ENFOPROF), com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Governo do Estado, por meio de edital de Eventos da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq).

Na Central de Integração Acadêmica, no Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande, mais de mil alunos participaram das atividades do evento, que têm como tema central “Competências para formar professores no Brasil: contribuições e desafios”. A palestra de abertura ficou por conta da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Inês Teixeira, que teve como objetivo apontar questões relacionadas ao tempo, experiências e narrativas docentes.

Durante sua fala, ela apontou a necessidade de discutir a condição da profissão docente pensando nos desafios que existem na Escola. Segundo ela, o docente já vive mergulhado em um calendário escolar, horários, tempos de trabalho e muitas outras questões que exigem uma análise sobre a necessidade de pensar como superar as dificuldades do dia a dia na escola.

“Nós enfrentamos uma série de desafios na Educação. Num país onde há uma desigualdade social muito grande, é preciso pensar nos processos de ensinar, aprender e receber os alunos. Quando destaco a valorização da experiência do professor, me refiro às suas atividades, naquilo que marca a vida dos alunos, que fica na memória, de uma forma que possamos trabalhar através das vias dessas narrativas. Nós entendemos que durante a formação de professores é possível trabalhar suas narrativas, sejam em diários, cartas, rodas de conversas que ajudam a enfrentar os desafios do presente”, explicou a professora.

O reitor da UEPB, professor Rangel Junior, valorizou a participação de todos os alunos e professores da Instituição, sejam eles integrantes do PIBID ou do Programa de Residência Universitária, que têm contribuído para a qualificação da formação docente dos estudantes graduandos. Segundo ele, esses dois programas oferecem uma contribuição muito grande por atenderem demandas de várias questões da Educação. Rangel destacou ainda a necessidade de fortalecer e ampliar ambas iniciativas e acenou para uma proposta de parceria com o Estado da Paraíba para ampliar esses tipos de ações educativas.

“Vamos tentar viabilizar junto ao Governo da Paraíba, a criação de um projeto próprio para o Estado. É preciso ter uma iniciativa paralela como um suporte para que possamos garantir a execução desses projetos, para termos continuidade como uma experiência rica de formação de educadores e educadoras. É importante assegurar esse modelo que está dando certo, para que possa ser fortalecido para levar a Educação brasileira a um projeto de formação de professores e professoras em um outro patamar da história desse país”, afirmou o reitor.

A coordenadora do PIBID na UEPB, professora Paula Casto, também parabenizou a participação e envolvimento de todos no ENI, que, de acordo com ela, representa o resultado de 16 meses de trabalho que possibilitou os estudantes e professores atuarem em diferentes lugares, ampliando o alcance das atividades de incentivo à docência em um número maior de municípios. “Antes, só tínhamos atuação nas cidades onde existe o Câmpus Universitário, mas agora pudemos chegar em outros municípios, o que fortaleceu muito nossos programas”, destacou a professora. Também participaram da abertura do 7º ENID a pró-reitora Estudantil, Núbia Martins; o pró-reitor adjunto de Graduação, professor Altamir Souto Dias; e o coordenador da Residência Pedagógica, professor Juarez Lins.

Trabalhos apontam experiências dentro das escolas

Dentre as atividades do Encontro de Iniciação à Docência está a apresentação dos trabalhos científicos em pôsteres, que confirmam a atuação dos alunos nas escolas onde os projetos foram desenvolvidos. Para o coordenador da Residência Pedagógica, professor Juarez Lins, esse momento de discussão sobre a Educação é muito importante, por ela estar voltada à formação inicial dos futuros professores. Segundo ele, a vivência dos alunos na sala de aula é fundamental para o complemento de sua formação a partir da união entre a teoria, vivida na Graduação, e a prática, na sala de aula da escola.

“Esperamos que a Educação Brasileira comece a articular melhor seus resultados. Existe uma crise do magistério que atinge todas as universidades, muita gente desistindo, não querendo ser professor e, para estimular, surgiram esses programas que fortalecem essa ligação ente a Universidade e a escola, entre a teoria e a prática. E dessa articulação a gente sempre espera que os nossos alunos sejam melhores professores e os docentes que estão na sala de aula se sintam agraciados e possam também ajudar nossos estudantes a se tornarem um profissional melhor”, disse professor Juarez.

Aluna do 6º período do curso de Pedagogia, do Câmpus de Campina Grande, Sandriely Silva disse que sua participação no PIBID foi fundamental para que ela se encontrasse como professora. Segundo ela explicou, essa experiência prática ao longo de sua formação foi o diferencial para que ela tivesse certeza da escolha profissional que fez. “Essa experiência foi muito importante, porque nós realizamos atividades que contextualizam a realidade dos alunos com o conteúdo que eles vivenciam na escola”, disse a jovem.

Para o professor de História, João Gonçalves Bueno, esses dois projetos são muito importantes porque contribuem para uma formação ampliada, desde os alunos que estão no processo de qualificação na Universidade, bem como para os professores que também têm oportunidade de dialogar com outros tipos de metodologias, além de receberem um suporte para as práticas docentes em sala de aula. “É fantástico você poder contribuir com os dois lados do ensino: o do aluno, que está aprendendo a parte teórica e já vivenciando as atividades práticas, bem como do professor da escola que recebe esses alunos e pode dialogar em várias frentes de ensino”, testemunhou.

As atividades do 7º Encontro de Iniciação à Docência da Universidade Estadual da Paraíba envolvem 21 minicursos oferecidos pela coordenação do evento, bem como duas sessões de conversas com os temas “Escolhas profissionais a partir da participação no Pibid” e “As parcerias dos programas pedagógicos”.

Texto e fotos: Givaldo Cavalcanti