27º ENIC tem início com debate sobre o papel da comunidade científica no mundo pós-pandemia

3 de dezembro de 2020

Com o tema “O papel da Ciência na pandemia” e realizado em formato on-line devido à Covid-19, começou, nesta quinta-feira (3), a 27ª edição do Encontro de Iniciação Científica (ENIC) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). O evento, já consolidado como importante espaço para divulgar a produção científica da Instituição, realizado pela Pró-Reitora de Pós-Graduação e Pesquisa (PRPGP), acontece através da plataforma Google Meet, sendo transmitido ao vivo pelo Canal Rede UEPB no Youtube.

Anfitriã do ENIC, a pró-reitora de Pós-Graduação e Pesquisa da UEPB, professora Maria José Lima, lembrou que o ENIC deste ano, realizado em formato virtual, mostra o lado inovador do UEPB e destacou os frutos que já foram colhidos ao longo da história do evento na formação inicial do aluno de graduação. Ela também falou dos efeitos desastrosos da Covid-19 e da contribuição da Universidade e da ciência para conter os efeitos do vírus, que gerou uma crise sem precedentes no planeta.

A pró-reitora enfatizou que as atividades do conhecimento científico têm sido importantes nesse momento crítico da história, lembrou que a Covid já deixou profundas cicatrizes na vida das pessoas, sendo o vírus mais letal dos últimos 100 anos, gerando ainda profunda recessão, com aumento do desemprego e, com isso, a ampliação da desigualdade e da pobreza no País. Maria José lembrou que muitos pesquisadores estão envolvidos no enfrentamento à Covid, mas falta o apoio e valorização do governo federal para enfrentar a crise.

A professora lembrou que o Brasil, no campo da pesquisa científica, foi o primeiro no mundo a sequenciar o genoma do vírus e replicá-lo em laboratório. Em meio a pandemia, as agências de fomento lançaram editais, porém, segundo ela, tímidos, visto que os investimentos para a ciência e tecnologia ainda estão aquém do necessário. Com isso, mesmo com uma comunidade científica competente, o Brasil corre o risco de ficar sempre dependente de importação de tecnologias de outros países.

Para Maria José, o ENIC mostra que a UEPB, apesar da pandemia, tem trabalhado e gerado conhecimentos em diversas áreas. Prova disso é que 525 bolsistas estão trabalhando na pesquisa científica na Instituição. Apesar das adversidades, a Universidade, segundo ela, não deixou de priorizar o investimento no desenvolvimento científico. “A UEPB investe 75% de bolsas, enquanto o CNPq desenvolve apenas 33%. A Universidade aposta no futuro desses jovens”, destacou.

Em sua fala, o reitor Rangel Junior fez um balanço da história do ENIC em todas as suas edições e citou alguns professores que contribuíram para o evento, a exemplo do professor José Tavares. Prestes a concluir seu mandato, Rangel lembrou que, no princípio, a Universidade ainda estava engatinhando na produção da pesquisa, que começou de forma institucional no início dos anos 1990. Nesse tempo, a UEPB começou a passar por transformações e a incorporar em seus quadros professores com experiência de pesquisas, com titulação de mestrado e doutorado.

Somente a partir de 2005, a UEPB começou a construir programas de pós-graduação recomendados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Hoje, a Instituição está com um pós consolidada, com mais de 20 programas em funcionamento, com pesquisadores de destaque e reconhecidos pelo CNPq. “Hoje, a UEPB pode dizer que é, de fato, uma Universidade em todos os sentidos da acepção da palavra, seja por atender as diversas áreas do conhecimento, seja por estar inserida como universidade que produz ciência e conhecimento” destacou.

O reitor enfatizou que a UEPB tem transformado seus conhecimentos em trabalho social, beneficiando de forma gratuita os diversos setores da sociedade, bem como atuando na construção de patentes em um patamar diferenciado, sendo inserida, este ano, no hall das 50 universidades brasileiras com projetos e pedidos de patentes reconhecidos. Rangel destacou que, ao longo dos 27 anos de ENIC, a UEPB contribuiu para o desenvolvimento da Paraíba, buscando se enraizar no seio da sociedade, notadamente nos setores que mais precisam, desde a tecnologia de ponta até ao desenvolvimento de tecnologias sociais.

“Essa é a UEPB que fecha o ano de 2020 com essa trajetória importante. Essa Universidade que consegue se superar no meio da dificuldade, que em ano de pandemia, de tantos desastres, vendavais, de sofrimentos, perdas e ataques, atravessou todas essas tempestades, saindo delas mais forte e fortalecida junto à sociedade e à comunidade científica”, enfatizou Rangel.

O coordenador geral de pesquisa da UEPB, professor Carlos Henrique Gadelha, lembrou que a crise causada pela pandemia impôs um grande desafio para a ciência, em busca de respostas rápidas. Carlos destacou que a ciência precisa buscar meios para um mundo saudável, justo e sustentável e enfatizou que a Pós-Graduação e Pesquisa da UEPB é referência em qualidade e quantidade, principalmente nos tempos de crise.

O primeiro dia do 27º ENIC também teve a participação do pró-reitor adjunto de Pós-Graduação e Pesquisa, professor Cidoval Morais, que destacou a necessidade de reinvenção, luta e esperança em tempos difíceis e marcados por incertezas. Cidoval lembrou que, mesmo com toda as adversidades, a UEPB continua resistindo e fazendo pesquisas de alta qualidade, enfatizando que a Instituição não se acomodou e manteve a posição de ser protagonista.

Para ele, o maior desafio da comunidade científica no momento é alinhar, aproximar e fazer interagir os interesses das instituições de pesquisa com as reais demandas da sociedade. O professor disse, ainda, que é preciso criar alternativas para modificar e transformar o jeito de fazer pesquisa de forma inovadora, independente, autônoma e de vanguarda.

A conferência de abertura do ENIC debateu o tema “O papel da comunidade científica no mundo pós-pandemia” e foi ministrada pelo professor Márcio Alves Ferreira, bolsista de produtividade em Pesquisa 1D da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com graduação em Ciências Biológicas e Bacharelado em Genética, o professor mostrou alguns projetos de sua autoria, desenvolvidos no Laboratório de Genética e Biotecnologia Vegetal da UFRJ, e fez um relato do avanço da pandemia do mundo, os efeitos catastróficos nas vidas humanas, bem como o impacto na economia.

Ao longo de sua palestra, Márcio mostrou como a ciência tem contribuído para minimizar os danos da Covid e elencou algumas medidas a serem desenvolvidas como forma de conter o vírus que afetou todo o planeta, com cenário assustador de óbitos. Ele lembrou que a Covid-19, comparada com a gripe espanhola, em 1918, está sendo enfrentada com um arsenal de técnicas inovadoras. O pesquisador apresentou dados de diversos estudos de comunidades científicas e organismos internacionais sobre a pandemia e apontou que a ciência, hoje, tem como desafio garantir uma vacina eficaz, mas também está preocupada com o surgimento de novas pandemias.

Como medidas para conter o vírus com sucesso na iminência de uma nova pandemia, ele citou o desenvolvimento de Agências de Virais, a valorização de instrumentos de combate e controle de epidemias, além da necessidade de fazer com que os políticos escutem a comunidade científica de maneira efetiva. A transmissão dos conhecimentos científicos, nos diversos canais de comunicação, também é fundamental. Ele projetou que o mundo vai conviver por anos com o Sars-CoV-2, com vacinação em massa na população todos os anos, e observou que a comunidade científica ainda não tem conhecimento total sobre a eficácia da vacina, mas a liberação dela é fundamental para conter o avanço do vírus.

Após a palestra, aconteceu o lançamento de e-book “Rede de Saberes – Volume 2”. Tendo como característica valorizar a experiência de vida de alunos, professores e técnicos administrativos, que a partir de suas pesquisas alcançam resultados importantes para a sociedade, o ENIC 2020 conta com palestras, minicursos e apresentações de trabalhos. Toda programação pode ser acompanhada pelo site oficial do evento. Na UEPB, a iniciação científica tem mobilizado mais de 700 professores-orientadores e mil alunos em mais de 500 projetos.

Texto: Severino Lopes
Imagens: Reprodução